Mendonça abre caminho para julgamento de relatório da PF sobre Moraes e Vorcaro

Ministro do STF retirou sigilo de documento que aponta contatos entre Alexandre de Moraes e banqueiro investigado no caso Banco Master; cabe a Fachin definir quando pedido será analisado

Por: Redação Alvoroço

Foto: Nelson Jr./SCO/STF

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), liberou para julgamento o relatório da Polícia Federal que reúne informações sobre diálogos entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso durante as investigações sobre supostas fraudes envolvendo o Banco Master.

A decisão foi publicada neste domingo (6), às 15h04. Mendonça, que é relator do caso Master, não indicou uma data para a análise. Agora, caberá ao presidente do STF, Edson Fachin, definir quando o pedido de investigação será levado a julgamento.

Relatório teve sigilo retirado

Na terça-feira (1º), Mendonça havia determinado a retirada do sigilo do relatório da PF. O documento inclui conversas entre Moraes e Vorcaro, entre elas uma mensagem enviada pelo banqueiro às vésperas de sua prisão, em 2025, na qual ele questiona ao ministro se deveria deixar o país.

Não há informação sobre qual teria sido a resposta de Moraes à mensagem.

O conteúdo do relatório provocou uma crise interna no Supremo. Após a divulgação das informações, Moraes pediu que Mendonça fosse investigado no âmbito do inquérito das fake news. O ministro alegou que o colega teria cometido abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade ao determinar a apuração.

Na última semana, Fachin determinou que Mendonça, Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, prestassem informações sobre o relatório relacionado às conversas com Vorcaro.

Fachin também retirou do inquérito das fake news o pedido de investigação apresentado por Moraes contra Mendonça. O presidente do STF ainda defendeu o encerramento do inquérito, aberto em 2019 por determinação do então presidente da Corte, Dias Toffoli.

Contrato de R$ 131 milhões

O material obtido pela PF e que ficou sob posse de Mendonça também aponta que Moraes teria feito alterações em um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o Banco Master, antes da assinatura do documento.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, já se manifestou pela nulidade do relatório que reúne as conversas entre Moraes e Vorcaro. Segundo Gonet, Mendonça “se valeu da polícia” para “impor a investigação” do ministro, exercendo “atividades que não lhe foram assinaladas”.

Associação de delegados pede impedimento de Gonet

No sábado (5), a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) pediu que Gonet seja declarado impedido de atuar nos procedimentos relacionados ao Banco Master.

A entidade argumenta que o procurador-geral também é mencionado nos diálogos envolvendo Vorcaro, Moraes e outros interlocutores.