País tinha 1,499 milhão de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos nessa situação; pesquisa aponta redução mais acentuada entre famílias beneficiárias do Bolsa Família.
Por: Redação Alvoroço

O Brasil registrou, em 2025, o menor número de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil desde o início da série histórica, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 16 de outubro.
Ao todo, 1,499 milhão de pessoas de 5 a 17 anos estavam nessa condição, uma queda de 9,2% em relação a 2024. O contingente corresponde a 4% da população brasileira nessa faixa etária.
A redução também foi observada entre crianças e adolescentes de famílias atendidas pelo Bolsa Família, grupo em que a proporção de trabalho infantil diminuiu mais rapidamente nos últimos anos.
Perfil do trabalho infantil no Brasil
Em 2025, os meninos representavam 980 mil dos casos registrados, após uma redução de 10% em relação ao ano anterior. Entre as meninas, eram 519 mil, queda de 7,5%.
Os adolescentes de 16 e 17 anos apresentaram a maior proporção de trabalho infantil entre os grupos etários analisados: 14,5%. Nesse grupo, 79,6% dos que estavam nessa situação frequentavam a escola, percentual inferior aos 89,6% registrados entre todos os adolescentes dessa idade.
A pesquisa também identificou 525 mil crianças e adolescentes submetidos às piores formas de trabalho infantil, o menor número da série histórica.
Regionalmente, o Sudeste concentrava o maior contingente, com 481 mil casos, seguido pelo Nordeste, com 408 mil. Em proporção à população de 5 a 17 anos, o Norte apresentava o maior índice, de 6,3%, enquanto o Sudeste tinha o menor, de 3,3%.
O IBGE ressalta que nem toda atividade realizada por crianças e adolescentes é considerada trabalho infantil. Conforme os critérios da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a classificação abrange atividades que colocam em risco a saúde e o desenvolvimento físico, mental, social ou moral, além daquelas que prejudicam a frequência e o desempenho escolar.
Trabalho infantil diminui entre beneficiários do Bolsa Família
A pesquisa estimou que 13,1 milhões de pessoas de 5 a 17 anos viviam em domicílios atendidos pelo Bolsa Família em 2025, o equivalente a 34,7% da população dessa faixa etária.
Desse total, 573 mil estavam em situação de trabalho infantil, representando 4,4% das crianças e adolescentes beneficiários. Embora o percentual ainda estivesse acima da média nacional, de 4%, a diferença diminuiu ao longo dos anos.
Em 2016, o trabalho infantil atingia 7,3% das crianças e adolescentes de famílias beneficiárias, enquanto a média nacional era de 5,2%. Em 2025, a distância entre os índices caiu de 2,1 para 0,4 ponto percentual.
Os dados indicam que a redução foi mais intensa entre as famílias atendidas pelo programa, apesar de elas apresentarem renda média significativamente inferior à dos domicílios que não recebem o benefício.
Tarefas domésticas atingem 15,9 milhões de jovens
O levantamento também analisou a realização de tarefas domésticas e atividades de cuidado sem remuneração. Em 2025, aproximadamente 15,9 milhões de brasileiros de 5 a 17 anos, ou 42,1% dessa população, realizavam esse tipo de atividade.
A participação aumentava com a idade. Entre adolescentes de 16 e 17 anos, o percentual chegava a 64,6%. Na faixa de 14 e 15 anos, era de 60,7%, enquanto entre crianças de 5 a 13 anos ficava em 32,7%.
A pesquisa identificou ainda uma diferença entre os sexos: 47,9% das meninas realizavam tarefas domésticas ou atividades de cuidado, ante 36,6% dos meninos.
Entre 2022 e 2025, a proporção de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil no país diminuiu 0,9 ponto percentual.