Retirado à força pela Polícia Legislativa, o deputado também se posicionou contra o projeto da dosimetria.
Por: Lucas Gravatá

O deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) ocupou, nesta terça-feira (9), a cadeira do presidente da Câmara dos Deputados após Hugo Mota (Republicanos -PB) anunciar a votação do projeto da dosimetria, que prevê a redução de penas aos condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.
O projeto beneficia diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que pode ter sua pena reduzida de 27 anos e três meses, para pouco mais de 2 anos, segundo o relator, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP)
“Eu vou me manter aqui firme até o final dessa história. Se o presidente da Câmara quiser tomar uma atitude diferente daquela que ele tomou com os golpistas que ocuparam essa mesa diretora e que até hoje não tiveram qualquer punição, essa é uma responsabilidade dele. Eu ficarei aqui até o limite das minhas forças”, afirmou Glauber.
Mais cedo, o presidente da Casa anunciou que ainda esta semana analisaria, em Plenário, as cassações dos deputados Glauber Braga e Carla Zambelli (PL-SP), que está detida na Itália, aguardando julgamento de extradição.
“Na próxima semana, o caso de Alexandre Ramagem (PL-RJ). Já a decisão sobre o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que ultrapassou o limite de faltas permitidas pelo regimento, será tomada pela Mesa Diretora”, completou, o presidente da Câmara.
Em imagens divulgadas nas redes sociais, a Polícia Legislativa atuou para desobstruir a Mesa Diretora, com o parlamentar sendo retirado à força do local. Confira o vídeo.
O movimento é visto como isolado, com atuação única do parlamentar, pegando governistas de surpresa, diferente do protesto feito pela oposição em agosto, que, por 48 horas, ocuparam a Mesa Diretora, de forma coordenada, exigindo a votação do projeto da anistia.
Naquela ocasião, o presidente Hugo Mota chegou a ser impedido pelo deputado Zé Trovão (PL-SC) de acessar a Mesa, sendo impedido de assumir a cadeira de presidente pelo deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS) que estava ocupando.
Nas redes sociais, Glauber recebeu apoio de correligionários, destacando a diferença de tratamento nas duas ocasiões.
A deputada federal Érika Hilton (PSOL-SP) mencionou a ocupação da Câmara pela oposição, em agosto e que até o momento ninguém foi punido.
”Já Glauber Braga, por simplesmente protestar contra a anistia para Bolsonaro e uma cassação injusta, foi retirado com violência”, comentou a parlamentar na rede social X.
Na rede social X, antigo Twitter, Hugo Mota comentou o ocorrido, classificando que a ocupação desrespeita o presidente da Casa.
“Ele desrespeita a própria Câmara dos Deputados e o Poder Legislativo. Inclusive de forma reincidente, pois já havia ocupado uma comissão em greve de fome por mais de uma semana”, disse o parlamentar.