O que se sabe sobre a morte do cão “Orelha” que ganhou repercussão no Brasil

Ao menos quatro adolescentes são apontados como suspeitos de participar das agressões ao animal. Dois deles estão nos EUA e retornam ao Brasil na semana que vem

Por: Lucas Gravatá

Foto: Reprodução/Redes Sociais

A morte do cão comunitário conhecido como Orelha está no centro de uma investigação policial e gerou ampla comoção em Santa Catarina e em todo o país. O animal, de aproximadamente 10 anos e conhecido por moradores da Praia Brava, região norte de Florianópolis, foi vítima de agressões graves que levaram à sua morte no início do mês de janeiro.

O caso começou a ser apurado pela Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) após denúncia anônima de que um grupo de adolescentes teria atacado o cachorro. Orelha foi encontrado por moradores ferido e agonizando, sendo levado a uma clínica veterinária, onde não resistiu aos ferimentos e precisou ser submetido à eutanásia para cessar o sofrimento no dia 5 de janeiro.

Na manhã desta segunda-feira (26), a polícia deflagrou uma operação para cumprir três mandados de busca e apreensão em endereços de investigados por maus-tratos e coação no âmbito da apuração, incluindo parentes de suspeitos, como parte da coleta de provas.

Autoridades informaram que o caso é acompanhado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), com participação de promotorias especializadas em infância e juventude e meio ambiente, dada a condição dos envolvidos e o teor ambiental da ação.

Segundo o MPSC, ao menos quatro adolescentes são apontados como suspeitos de participar das agressões ao animal. Eles foram localizados após análise de câmeras de segurança e depoimentos de moradores da região. Dois teriam deixado o país em viagem já programada aos Estados Unidos e devem retornar ao Brasil na próxima semana para prestar esclarecimentos.

O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), comentou o caso em suas redes sociais, afirmando que determinou à polícia civil a investigação imediata desde que tomou conhecimento do fato e que as diligências seguiam sob rigor técnico e legal. “A nossa Polícia Civil fez diligências, colheu provas e solicitou à Justiça mandados alguns dias após o início da investigação. As provas já estão no processo e me embrulharam o estômago”, escreveu o governador.

“Não importa quem sejam, nem os sobrenomes que carregam. A lei será cumprida. Infelizmente, ainda muito branda, mas será cumprida. Lamento que o nosso estado esteja no centro de uma manchete tão triste, mas que essa dor se transforme em ação, mudança e proteção aos animais comunitários. O Orelha não será esquecido, e a justiça precisa ser feita”, ressalta o governador.

O delegado-geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel, declarou que as investigações avançam “com técnica, justiça e cumprindo a lei com total rigor”, conforme os elementos reunidos até o momento.

Foto: Divulgação/Fernanda Oliveira

O caso repercutiu além dos trâmites judiciais, com protestos de moradores da Praia Brava e organizações de proteção animal realizados no dia 17 de janeiro e no último sábado (24). O caso também ganhou notoriedade nas redes sociais, com manifestações utilizando vídeos e fotos do animal, dos protestos e notícias sobre o caso, utilizando a hashtag  #JustiçaPorOrelha.

Entre os famosos, o caso também ganhou comoção, com pedidos de justiça. Com vídeos publicados nas redes sociais no último domingo (25), as atrizes Heloísa Périssé e Paula Burlamaqui lamentaram a morte do cachorro e cobraram providências das autoridades.

“Quem faz isso com um animal inocente, por um simples querer, tende a repetir esse modelo de violência com outros seres vivos. A gente precisa estar atento a isso”, disse.

O comediante e apresentador de um dos principais quadros de humor do BBB, publicou um vídeo no seu Instagram expressando sua indignação diante da crueldade cometida.

“Orelha era um cão super dócil, tinha 10 anos e era mascote do local. Por que fizeram isso? Foi pura maldade. Não foi uma pessoa só, foram quatro. É muito triste. Agora precisa ter justiça, e a gente não pode deixar essa situação morrer”, pediu. A publicação já ultrapassou 5,5 milhões de visualizações, reunindo milhares de comentários indignados.

“Matar cachorro é crime, decepar a pata de um cavalo é crime. Estou aqui para prestar meu apoio, não só pelo Orelha, mas por todos os animais que já sofreram. Não entra na minha cabeça como alguém pode ter um coração tão frio a ponto de fazer isso”, afirmou.

A cantora Ana Castela destacou que maus-tratos aos animais são crimes e reforçou seu apoio em busca por justiça.

“Matar cachorro é crime, decepar a pata de um cavalo é crime. Estou aqui para prestar meu apoio, não só pelo Orelha, mas por todos os animais que já sofreram. Não entra na minha cabeça como alguém pode ter um coração tão frio a ponto de fazer isso”, afirmou.

Com as investigações em andamento, a polícia e o Ministério Público devem seguir ouvindo testemunhas e consolidando provas para eventual responsabilização e encaminhamento dos procedimentos legais conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e as normas vigentes.