A liquidação extrajudicial do Banco Master foi determinada pelo Banco Central em 18 de novembro, após a instituição ser acusada de fraudar carteiras de crédito em mais de R$ 11 bilhões
Por: Lucas Gravatá

Em depoimento à Polícia Federal, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, afirmou que o Banco Master dispunha de apenas R$ 4 milhões em caixa antes de ter a liquidação extrajudicial decretada pela autoridade monetária. A informação consta na oitiva realizada em 30 de dezembro de 2025, cujo sigilo foi derrubado nesta quinta-feira (29) por decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo Aquino, apesar de o Master ser classificado como um banco de médio porte (S3), o volume de ativos exigia atenção especial da supervisão diante da grave crise de liquidez. “Um banco de 80 bilhões de reais em ativos costuma ter de 3 a 4 bilhões em títulos livres. O Master, antes da liquidação, tinha apenas 4 milhões de reais em caixa”, declarou.
Durante a acareação, o diretor também apontou dificuldades relacionadas ao Will Bank, fintech ligada ao Master e que igualmente acabou liquidada. De acordo com ele, havia problemas operacionais que agravavam o cenário. “As contas e os pagamentos da Will estavam enfrentando muita dificuldade. O acompanhamento era constante para verificar se o caixa fechava ou não, diante da crise de liquidez”, afirmou.
A liquidação extrajudicial do Banco Master foi determinada pelo Banco Central em 18 de novembro, após a instituição ser acusada de fraudar carteiras de crédito em mais de R$ 11 bilhões. Já o Will Bank operava sob o Regime de Administração Especial Temporária (Raet), mecanismo de intervenção aplicado pelo BC a instituições com patrimônio gravemente comprometido.
O Raet prevê a substituição da diretoria por um conselho gestor, mantendo as operações em funcionamento para evitar riscos ao Sistema Financeiro Nacional (SFN). Segundo Aquino, a medida foi adotada para dar efetividade à legislação e reduzir danos sistêmicos. “Embora não fosse o foco central aqui, diante da liquidação do Master e da possibilidade de venda da Will, optamos por decretar o Raet”, explicou.
O diretor do BC também destacou a exposição do Banco de Brasília (BRB) à fintech. “Há muitos ativos do Will Bank dentro do balanço do BRB. Sem o Raet, o prejuízo para o banco do Distrito Federal teria sido maior”, disse. Conforme Aquino, o Will concentrava cerca de 11 milhões de cartões de crédito, principalmente entre clientes das classes C e D.
Ao justificar a decisão, ele citou o risco de inadimplência em massa. “Quando a ‘Dona Maria’ deixa de conseguir comprar no cartão, a chance é muito grande de ela não pagar o boleto e buscar outro cartão. Isso é um juízo baseado na nossa experiência, e foi por isso que a diretoria decidiu pelo Raet”, concluiu.