Segundo o parlamentar, o desligamento ocorre após ele ter sido retirado da chapa eleitoral, movimento que também envolve aliados próximos e familiares
Por: Lucas Gravatá

O senador Ângelo Coronel confirmou neste sábado (31) sua saída do PSD, decisão anunciada durante entrevista ao programa Frequência News, da rádio Boa FM 96,1. Segundo o parlamentar, o desligamento ocorre após ele ter sido retirado da chapa eleitoral, movimento que também envolve aliados próximos e familiares.
De acordo com Coronel, deixam o partido nomes como seus filhos Diego Coronel e Ângelo Filho, além de João de Furão, Thiago Gileno e Luizinho Sobral. O senador afirmou que a decisão foi tomada após perceber que não havia mais espaço político para sua permanência na legenda.
“Quero deixar isso muito claro para os baianos: eu saí do grupo porque não me deram a vaga que eu tenho direito. Fui defenestrado e não tenho sangue de barata. Se não me querem, por que eu vou ficar ao lado?”, declarou. Ele ainda afirmou que sua exclusão foi, na prática, uma destituição informal. “Não foi uma expulsão oficial, mas eu já tinha sido afastado, faltando apenas formalizar no Tribunal Regional Eleitoral”, completou.
Até a noite da última sexta-feira (30), a saída de Coronel do PSD era considerada improvável nos bastidores políticos. Um dia antes, em entrevista ao Bahia Notícias, o senador havia comentado as articulações internas no partido e negado qualquer tentativa de golpe para assumir o comando da legenda na Bahia, classificando as acusações como uma “orquestração” contra ele e contra o senador Otto Alencar, presidente estadual do PSD.
A crise interna se intensificou após a chegada do governador Ronaldo Caiado ao PSD, episódio que passou a redesenhar as disputas internas da sigla. Desde então, Coronel vinha sendo acusado por aliados de Otto Alencar de atuar nos bastidores junto ao presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, para tentar alterar o posicionamento do PSD na Bahia e aproximá-lo da base do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil).
Com a confirmação da saída, o movimento de Ângelo Coronel aprofunda o racha no PSD baiano e adiciona um novo elemento de instabilidade ao tabuleiro político do estado, especialmente no contexto das articulações para as eleições de 2026.
As movimentações de Coronel eram interpretadas como uma tentativa de aumentar seu espaço eleitoral, diante da dificuldade de se inserir de forma confortável na chapa governista baiana com o apoio do PT, já que a bancada petista defende o conceito de uma chapa “puro-sangue” (com as candidaturas de Jaques Wagner e Rui Costa ao Senado e Jerônimo Rodrigues à reeleição pelo governo da Bahia), que não incluiria candidaturas paralelas no grupo.