Por: Lucas Gravatá
Celebrado em 8 de março, o Dia Internacional da Mulher reúne manifestações políticas, atos públicos e homenagens em diversas partes do mundo. A data, reconhecida oficialmente pela Organização das Nações Unidas desde 1975, tem origem nos movimentos operários e feministas do início do século XX e se consolidou como um momento global de mobilização por igualdade de direitos.
A origem do 8 de março

Um dos marcos históricos ligados ao surgimento da data ocorreu em 1910, durante a Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, realizada em Copenhague, na Dinamarca. Na ocasião, a líder socialista Clara Zetkin propôs a criação de um dia internacional dedicado às mulheres, com o objetivo de mobilizar a sociedade em defesa do sufrágio feminino e de direitos trabalhistas. A proposta foi aprovada por representantes de vários países e passou a inspirar manifestações e eventos anuais.
A escolha do 8 de março como data oficial se consolidou após uma série de mobilizações femininas ocorridas na Rússia em 1917, quando trabalhadoras organizaram protestos contra a fome, a guerra e as condições de trabalho.
As manifestações, iniciadas justamente em 8 de março (no calendário gregoriano), foram um dos estopins da chamada Revolução Russa de 1917. Com o passar das décadas, o dia ganhou reconhecimento internacional e, em 1975, foi oficializado pela Organização das Nações Unidas como o Dia Internacional da Mulher.
Como a data é celebrada ao redor do mundo?
Embora o objetivo seja comum, as formas de comemoração variam de acordo com a cultura e o contexto político de cada país.
Espanha

Na Espanha, o 8 de março costuma mobilizar milhares de pessoas em grandes marchas nas principais cidades, como Madri e Barcelona. Movimentos feministas organizam atos que defendem igualdade salarial, maior participação feminina na política e políticas públicas de combate à violência de gênero.
Em alguns anos, sindicatos e coletivos também convocam paralisações simbólicas de trabalho e atividades domésticas para chamar atenção para o papel das mulheres na economia e na sociedade.
Alemanha
Na Alemanha, o Dia Internacional da Mulher combina atos políticos com iniciativas institucionais. Em cidades como Berlim, onde o 8 de março é feriado oficial, são organizadas marchas, seminários e eventos culturais voltados à valorização da participação feminina na sociedade. Organizações sociais também promovem debates sobre igualdade salarial e maior presença de mulheres em cargos de liderança.
Itália
Na Itália, a data é conhecida como Festa della Donna e tem uma tradição cultural própria. O símbolo do dia é a flor de mimosa, que costuma ser distribuída entre mulheres como forma de reconhecimento e respeito. Além das homenagens, movimentos feministas também realizam protestos e debates sobre direitos das mulheres, violência doméstica e igualdade no trabalho.
China

Na China, o Dia Internacional da Mulher tem um caráter mais institucional. Muitas trabalhadoras recebem meio dia de folga concedido por órgãos públicos ou empresas. Ao mesmo tempo, a data passou a ter forte apelo comercial, com campanhas promocionais voltadas ao público feminino em lojas e plataformas digitais. Eventos organizados por empresas e instituições também celebram conquistas profissionais de mulheres.
México
No México, o 8 de março é marcado por grandes manifestações populares contra a violência de gênero e os altos índices de feminicídio no país. Milhares de mulheres participam de marchas nas ruas da capital, Cidade do México, e em outras cidades importantes, pedindo mais proteção e políticas públicas. Em muitos casos, o dia também é precedido por uma greve simbólica feminina para evidenciar o impacto da ausência das mulheres na sociedade.
Argentina
Na Argentina, o Dia Internacional da Mulher é tradicionalmente acompanhado por mobilizações organizadas por movimentos feministas e sindicatos. Em Buenos Aires e outras cidades, marchas reúnem milhares de pessoas em defesa de direitos trabalhistas, igualdade de oportunidades e combate à violência contra mulheres. A data também é usada para promover debates públicos sobre políticas de gênero.
Chile
No Chile, as manifestações costumam reunir grandes multidões em Santiago e em outras cidades do país. Organizações feministas convocam marchas e atos culturais que discutem igualdade de direitos, participação política e proteção contra a violência de gênero. Nos últimos anos, o movimento ganhou força no país e passou a mobilizar universidades, sindicatos e coletivos sociais.
Afeganistão

Desde que o grupo terrorista Talibã retornou ao comando no país em 2021, a organização impôs restrições ainda mais severas contra os direitos das mulheres no país, sendo o país mais repressivo do mundo. A organização tem banido a presença de mulheres de mulheres nas universidades e no ensino médio, além de proibir que viagens sem a companhia de um parente homem.
Também foi proibida a presença de mulheres em parques, jardins, academias e banheiros públicos.
Apesar das diferenças culturais e políticas entre os países, especialistas apontam que a essência do Dia Internacional da Mulher permanece a mesma: lembrar conquistas históricas e manter a mobilização por igualdade. Entre celebrações simbólicas e protestos nas ruas, o 8 de março continua sendo uma das principais datas globais de debate sobre direitos e participação feminina na sociedade.
A escolha da cor roxa

Já a cor roxa (ou lilás) tornou-se um dos principais símbolos da data por sua ligação histórica com o movimento feminista. O tom era utilizado por sufragistas britânicas no início do século XX, especialmente pelo grupo Women’s Social and Political Union.
Para essas ativistas, o roxo representava dignidade e justiça, enquanto outras cores do movimento incluíam o branco (pureza) e o verde (esperança). Com o tempo, o roxo acabou sendo associado mundialmente às lutas femininas e passou a marcar campanhas, manifestações e celebrações do 8 de março.
Assim, o Dia Internacional da Mulher não surgiu como uma data comemorativa tradicional, mas como resultado de mobilizações políticas e sociais. Mais de um século depois, o 8 de março continua sendo um momento global de reflexão sobre conquistas femininas e sobre os desafios que ainda persistem na busca por igualdade de direitos.