Copom inicia redução da Selic com cautela diante de inflação ainda acima da meta e cenário externo instável
Por: Lucas Gravatá

O Banco Central decidiu nesta quarta-feira (18) reduzir a taxa básica de juros, a Selic, de 15% para 14,75% ao ano, marcando o início de um novo ciclo de cortes após meses de manutenção em patamar elevado. A decisão foi tomada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), que apontou um cenário de maior incerteza global, especialmente por conta dos conflitos no Oriente Médio, como fator de atenção para a economia brasileira.
De acordo com o Copom, o ambiente internacional ficou mais instável, com reflexos nos preços de commodities e nas condições financeiras globais. No Brasil, a economia já dá sinais de desaceleração, embora o mercado de trabalho ainda permaneça aquecido. A inflação, por sua vez, apresentou leve redução recente, mas segue acima da meta definida pelo governo.
As projeções indicam que a inflação deve continuar elevada nos próximos anos. Para 2026, a estimativa do mercado é de 4,1%, enquanto para 2027 é de 3,8%, ambos acima do centro da meta. Diante desse cenário, o Banco Central destacou que ainda há riscos tanto de alta quanto de queda nos preços, incluindo fatores como o comportamento do dólar, o ritmo da economia e a evolução do cenário internacional.
Mesmo com o corte, o Banco Central sinalizou que a redução dos juros será feita com cautela. A instituição avalia que o período prolongado de juros altos já começou a frear a economia, abrindo espaço para ajustes graduais. Ainda assim, o Copom reforçou que os próximos passos dependerão da evolução da inflação e dos desdobramentos do cenário global, especialmente dos impactos da guerra no Oriente Médio.
A decisão também busca equilibrar o controle da inflação com o estímulo à atividade econômica. Juros mais baixos tendem a facilitar o crédito, incentivar o consumo e apoiar a geração de empregos, mas o Banco Central reforçou que manterá atenção para garantir que a inflação volte à meta nos próximos anos.