Copom mantém juros em 15% ao ano e sinaliza possível corte na próxima reunião

A decisão do BC destaca os cenários de incertezas no Brasil e no exterior e embora a inflação tenha apresentado sinais de queda nos últimos meses, ainda permanece acima da meta

Por: Lucas Gravatá

Foto: Banco Central do Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (28), manter a taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano, diante de um cenário de incertezas no Brasil e no exterior. A decisão foi unânime.

A inflação apresentou sinais de queda nos últimos meses, mas ainda permanece acima da meta. As expectativas para os próximos anos seguem elevadas: a projeção é de 4,0% em 2026 e 3,8% em 2027, segundo a pesquisa Focus. Para o Copom, a projeção é de 3,2% para o terceiro trimestre de 2027, horizonte relevante da política monetária.

Segundo o Banco Central, o ambiente internacional segue instável, influenciado pela política econômica dos Estados Unidos e por tensões geopolíticas, o que afeta as condições financeiras globais. No Brasil, os dados indicam desaceleração gradual da economia, enquanto o mercado de trabalho continua resistente.

O Copom avalia que os riscos para a inflação continuam altos e reforça a necessidade de cautela. Entre os principais fatores de atenção estão a persistência da inflação de serviços, a desancoragem das expectativas, os impactos do cenário econômico global, os efeitos da política fiscal doméstica.

Apesar da manutenção da Selic, o Copom sinalizou que a estratégia em curso tem se mostrado adequada para assegurar a convergência da inflação à meta e indica uma possível flexibilização da taxa de juros.

“Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros. O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, diz o comunicado

Contudo, a autarquia ressalta que o ritmo e a magnitude desse eventual ciclo dependerão da evolução dos indicadores e da confiança no cumprimento da meta de inflação no horizonte relevante.

“A decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante”, afirmou o Comitê, destacando que a política monetária seguirá restritiva pelo tempo necessário para assegurar a estabilidade de preços, ao mesmo tempo em que busca suavizar as flutuações da atividade econômica e fomentar o pleno emprego.