Espaço cultural, inaugurado em 1964, ganhou melhorias de acessibilidade, novos equipamentos e intervenções no entorno; programação marca retorno das atividades.
Por: Redação Alvoroço

O Teatro Vila Velha, um dos espaços culturais mais tradicionais de Salvador, reabre as portas nesta sexta-feira (25) após uma ampla requalificação. Inaugurado em 1964, o teatro passou por intervenções estruturais sem perder as características da arquitetura original e a proposta de ser um espaço em constante transformação.
A obra recebeu investimento de R$ 28,6 milhões no complexo. Desse total, R$ 14,6 milhões foram destinados às intervenções físicas e outros R$ 14 milhões à aquisição de equipamentos.
Entre as mudanças estão melhorias de acessibilidade e conforto para pessoas com deficiência e com mobilidade reduzida. O acesso ao teatro pelo Passeio Público, na Avenida Sete de Setembro, ganhou uma nova passarela, além de elevador e escadarias.
Equipamentos foram modernizados
Apesar das intervenções, o palco mantém uma das principais características do Vila Velha: a possibilidade de diferentes configurações e experimentações cênicas.
O espaço recebeu novos equipamentos de som, iluminação e recursos audiovisuais, ampliando as condições para apresentações de diferentes formatos.
A programação de reinauguração reúne artistas que fazem parte da cena musical baiana. Participam das apresentações Bruno Barroso, Giovani Cidreira, Luiza Brito, Jadsa e Manuela Rodrigues, entre outros.
A direção musical é de João Milet Meirelles e Ronei Jorge. O repertório revisita diferentes períodos da história do teatro e inclui músicas relacionadas a espetáculos apresentados no espaço.
Entre as referências está “Nós, Por Exemplo”, montagem que reuniu Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Maria Bethânia e Tom Zé.
Passeio Público também passou por intervenções
A requalificação incluiu ainda o Passeio Público, espaço histórico construído em 1810.
O projeto preservou o traçado urbanístico original e contemplou a restauração de monumentos, painéis, fonte e do mirante com vista para a Baía de Todos os Santos.
Também foram implantados recursos de acessibilidade e vagas destinadas a pessoas com deficiência.
A intervenção foi realizada pela Prefeitura de Salvador, por meio da Sucop, com projeto coordenado pela Fundação Mário Leal Ferreira. O trabalho foi desenvolvido pelos arquitetos Nivaldo Andrade e Mário Vitor Bastos, da A+P Arquitetos Associados, com consultoria de Carl von Hauenschild, responsável pela reforma do teatro em 1994.
Teatro Vila Velha tem mais de seis décadas de história
Antes de ganhar a sede no Passeio Público, o Teatro Vila Velha passou por três endereços provisórios em Salvador entre 1959 e 1964: um solar no bairro da Graça, outro no Largo da Vitória e a Galeria Oxumaré, também no Passeio Público.
No primeiro ano de funcionamento, o grupo realizou mais de 100 apresentações em espaços improvisados, como praças, escolas e igrejas, além de cidades do interior da Bahia.
A sede definitiva foi inaugurada em 1964, quando o Vila Velha se consolidou como o primeiro teatro independente da Bahia. O espaço abriga a Companhia Teatro dos Novos, considerada a primeira companhia teatral profissional do estado.
A primeira montagem da Companhia Teatro dos Novos apresentada na nova sede estreou em dezembro daquele ano e contou com a participação da Escola de Samba Juventude do Garcia como coro.
Em 1994, uma reforma estrutural transformou o prédio em um espaço cênico com diferentes possibilidades de configuração entre palco e plateia. A intervenção também criou salas de ensaio e o Café Teatro, conhecido como Cabaré dos Novos.
Ao longo de mais de 60 anos, o Teatro Vila Velha se tornou conhecido pela experimentação e pela liberdade artística, além de ter recebido nomes importantes da cultura brasileira.
Nova política para grupos locais
Com a reabertura, o teatro também anuncia mudanças na política de ocupação do espaço. A proposta é oferecer temporadas mais longas para grupos locais, como forma de contribuir para o fortalecimento e a valorização da produção das artes cênicas da Bahia.
A ideia é manter o Vila Velha como um equipamento cultural em permanente transformação, com seus espaços ocupados por artistas e profissionais das áreas operacional, administrativa, criativa e de gestão artística e cultural.