Trend “caso ela diga não” viraliza no TikTok e PF abre investigação para apurar violência contra a mulher

Os vídeos seguem um formato semelhante: homens simulam situações românticas, como pedidos de namoro ou casamento. Após a mulher rejeitar o pedido, os autores passam a representar reações violentas.

Por: Lucas Gravatá

Foto: Reprodução

Uma tendência que circulou nas redes sociais nas últimas semanas provocou forte repercussão no Brasil ao associar humor e encenação a situações de violência contra mulheres. Conhecida como “caso ela diga não”, a trend ganhou visibilidade principalmente no TikTok e passou a ser alvo de críticas de especialistas, influenciadores e autoridades.

Os vídeos seguem um formato semelhante: homens simulam situações românticas, como pedidos de namoro ou casamento. Em seguida, após uma encenação em que a mulher rejeita o pedido, os autores passam a representar reações violentas, com gestos de agressão física, como socos, chutes ou ataques com armas simuladas. Em muitos casos, as postagens aparecem acompanhadas de frases como “treinando caso ela diga não”.

A tendência começou a se espalhar rapidamente na plataforma, impulsionada pelo formato curto e pelo mecanismo de recomendação do aplicativo, que favorece conteúdos replicáveis. A viralização gerou debates sobre os limites do humor nas redes sociais e sobre a normalização da violência de gênero em ambientes digitais.

A repercussão foi ainda maior por ocorrer em março, período em que se intensificam campanhas de conscientização sobre direitos das mulheres em razão do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março. Organizações e usuários das redes apontaram que a circulação desse tipo de conteúdo contrasta com o debate público sobre enfrentamento ao feminicídio e à violência doméstica no país.

Diante das denúncias, a Polícia Federal abriu investigação para apurar a disseminação dos vídeos e possíveis crimes relacionados à incitação à violência contra mulheres. O inquérito foi solicitado após uma notícia-crime apresentada pela Advocacia-Geral da União, que apontou que os conteúdos poderiam configurar estímulo a práticas criminosas e ameaçar direitos fundamentais das mulheres.

“Durante a análise, também foram identificados outros vídeos vinculados à mesma tendência, que foram igualmente reportados e removidos. As informações reunidas serão analisadas para a adoção das medidas cabíveis”, diz a Polícia Federal em nota.

A plataforma TikTok informou que os vídeos identificados como violadores de suas diretrizes foram removidos. Em nota, a empresa afirmou que não permite conteúdos que promovam discurso de ódio ou comportamento violento e que equipes de moderação continuam monitorando publicações relacionadas à tendência para evitar novas violações.

“Os conteúdos que violam nossas Diretrizes da Comunidade foram removidos da plataforma assim que identificados”, comunicou o TikTok em nota.

Assista:

Vídeo: Reprodução Redes sociais / @linguasoltarsv