Ministro afirmou que decisão está relacionada ao cargo de presidente do TSE e negou ter relação com o banqueiro ou que seu filho tenha prestado serviços ao Banco Master.
Por: Redação Alvoroço

O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou nesta terça-feira (15) que está impedido de participar do julgamento do relatório da Polícia Federal (PF) que apontou uma relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Durante a sessão, Nunes Marques afirmou que não se sente confortável para analisar o caso por ocupar a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo ele, a proximidade das eleições exige que a Corte Eleitoral mantenha uma posição de equilíbrio.
O ministro também negou ter qualquer relação com Vorcaro e afirmou que seu filho, o advogado Kevin Marques, nunca prestou serviços ao Banco Master.
Mensagens citam filho do ministro
A declaração ocorre após a divulgação de mensagens encontradas no celular de Vorcaro que mencionariam Nunes Marques, familiares do magistrado e outras pessoas relacionadas às investigações sobre o Banco Master.
O conteúdo foi divulgado pela jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, com base em material apresentado aos ministros do STF na segunda-feira (14).
Em uma das conversas, Vorcaro e Luiz Rennó, que ocupava o cargo de diretor jurídico do Banco Master, tratam de pagamentos que seriam destinados a Kevin Marques por meio da empresa Consult Inteligência Tributária. Uma das mensagens menciona repasses mensais de R$ 500 mil.
“Meu filho nunca prestou nenhum serviço ao banco e nunca foi remunerado pelo banco”, disse Nunes Marques.
Durante a sessão, o ministro voltou a afirmar que não manteve conversas com Vorcaro e disse que a quebra de sigilo não aponta prestação de serviços de uma empresa de seu filho ao Banco Master.
Ministro cita eleições de outubro
Nunes Marques também afirmou que, caso tivesse qualquer relação inadequada com Vorcaro, não teria participado de decisões envolvendo o banqueiro.
“Se eu me sentisse desconfortável ou cooptado de alguma forma, jamais teria votado pela confirmação da prisão de Daniel Vorcaro, do seu pai e de outras pessoas envolvidas. Mas nós sabemos que os impedimentos e as suspeições não decorrem tão somente de culpabilidade”, emendou Kassio Nunes Marques.
Segundo o ministro, a decisão de se declarar impedido está ligada especificamente à função que exerce no TSE. Ele destacou a necessidade de preservar a imparcialidade da Justiça Eleitoral a poucas semanas das eleições, marcadas para 4 de outubro.
“Eu tenho feito um esforço enorme e isso é de fácil constatação. O Tribunal Superior Eleitoral tem se mantido, em que pese uma ou outra crítica, mas eu estou convicto disso, se mantido absolutamente equidistante”, completou.