Ex-deputado afirmou que pretende apresentar a autoridades americanas registros do julgamento sobre possível investigação contra ministro; reuniões em Washington estão previstas para esta semana
Por: Redação Alvoroço

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), afirmou nesta terça-feira (15) que pretende apresentar a autoridades dos Estados Unidos registros da sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que discutiu a possibilidade de abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.
Em publicação nas redes sociais, Eduardo afirmou esperar que o episódio leve a uma nova rodada de sanções americanas contra o ministro.
“Tudo registrado e pronto para expor em DC onde, se Deus quiser, se iniciará uma nova rodada de sanções”, escreveu no X, em referência a Washington, D.C. Na publicação, ele também fez críticas aos ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Flávio Dino.
Eduardo acusou Moraes de reivindicar direitos que, segundo ele, teriam sido negados a réus em processos conduzidos pelo ministro. Também criticou Gilmar Mendes por questionamentos feitos a André Mendonça e chamou Flávio Dino de “bobo da corte”.
Reuniões em Washington
A manifestação ocorre antes de reuniões que Eduardo Bolsonaro deve realizar em Washington nesta semana. Segundo informações divulgadas pelo jornalista Paulo Figueiredo à Gazeta do Povo, os encontros devem tratar da possibilidade de novas sanções contra Moraes. Os participantes das reuniões, no entanto, não foram informados.
Também há discussões nos Estados Unidos sobre uma eventual retomada das punições. Segundo o UOL, autoridades americanas ouvidas sob condição de anonimato afirmaram que novas sanções contra Moraes com base na Lei Global Magnitsky poderiam ser adotadas a qualquer momento.
De acordo com a publicação, o processo que serviu de base para as sanções anteriores continua sendo considerado válido pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. Uma eventual nova medida dependeria de aval do Departamento de Estado.
Sanções anteriores
Alexandre de Moraes foi incluído em 2025 na lista de pessoas sancionadas pelos Estados Unidos com base na Lei Global Magnitsky. Posteriormente, as medidas contra o ministro, a mulher dele, Viviane Barci de Moraes, e o Instituto Lex foram retiradas pelo governo americano.
Eduardo Bolsonaro já foi alvo de acusações de que teria atuado nos Estados Unidos para pressionar autoridades americanas pela adoção de sanções contra autoridades brasileiras. Segundo essas acusações, a iniciativa estaria relacionada a processos envolvendo seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Investigação também envolve Flávio Bolsonaro
A manifestação de Eduardo ocorre enquanto o irmão dele, Flávio Bolsonaro, também aparece entre os alvos de uma das frentes relacionadas às investigações sobre o Banco Master.
Flávio é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção relacionadas ao financiamento de Dark Horse, produção cinematográfica sobre Jair Bolsonaro.
A apuração foi autorizada pelo ministro André Mendonça e está relacionada à investigação que acompanha desdobramentos de suspeitas de fraudes atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro e possíveis conexões políticas.
As suspeitas e acusações mencionadas no caso ainda são objeto de investigação e não representam, por si só, conclusão sobre responsabilidade criminal.