Lula prepara “campanha do medo” e mira programas sociais e aposentadorias na disputa do 2º turno

Estratégia é associar eventual governo de Flávio Bolsonaro a mudanças em benefícios; petistas avaliam que parte do eleitorado vê políticas sociais como permanentes.

Por: Redação Alvoroço

Foto: Ricardo Stuckert

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prepara uma nova estratégia para o segundo turno da eleição presidencial, após o candidato terminar a primeira etapa da disputa atrás de Flávio Bolsonaro (PL). Entre as ações discutidas está o alerta sobre possíveis mudanças em programas sociais e benefícios destinados a aposentados caso o adversário seja eleito.

Segundo a Folha de S.Paulo, Lula orientou aliados a reforçar, durante a campanha, que a continuidade dos programas sociais não deve ser tratada como garantida. A ideia é relacionar medidas econômicas defendidas pelo adversário à possibilidade de redução de despesas e, consequentemente, de alterações em políticas voltadas à população de menor renda.

Aposentadorias e salário mínimo

A estratégia também deverá alcançar os aposentados. A campanha pretende discutir a possibilidade de desvinculação dos benefícios previdenciários dos reajustes do salário mínimo.

Os petistas também devem relembrar o comportamento do salário mínimo durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), período em que, segundo a campanha, não houve aumento real do valor.

A abordagem ocorre em meio ao debate sobre ajuste fiscal. Em agosto, Flávio Bolsonaro afirmou que não seria necessário alterar aposentadorias ou o salário mínimo para promover o ajuste das contas públicas. Entre as medidas citadas por ele estavam o combate a fraudes e a redução do número de ministérios.

Campanha busca mudar percepção sobre programas sociais

De acordo com integrantes da campanha de Lula, uma parte do eleitorado passou a considerar benefícios e programas sociais como políticas já consolidadas, sem necessariamente relacioná-los aos governos do PT.

A estratégia para o segundo turno será, portanto, reforçar a ideia de que essas políticas podem ser modificadas conforme as decisões econômicas e administrativas adotadas pelo próximo governo.

Lula e Flávio Bolsonaro disputarão o segundo turno em 25 de outubro. No primeiro turno, Flávio terminou à frente, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%.