Bruno Reis pede ao STF que impeça terceiro mandato consecutivo de Carlos Muniz na Câmara de Salvador

Prefeito se manifestou contra recurso do PDT que busca viabilizar nova candidatura do presidente do Legislativo municipal para o biênio 2027-2028; julgamento está previsto para novembro.

Foto: Divulgação

O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), defendeu no Supremo Tribunal Federal (STF) que Carlos Muniz (PSDB), presidente da Câmara Municipal, não possa disputar um terceiro mandato consecutivo à frente da Casa.

Em manifestação encaminhada ao ministro Gilmar Mendes, relator do caso, o prefeito pediu que a Corte rejeite o recurso apresentado pelo PDT para permitir uma nova candidatura de Muniz à presidência do Legislativo no biênio 2027-2028. O documento foi obtido pelo Bahia Notícias.

A manifestação foi elaborada na segunda-feira (26) e assinada digitalmente por Bruno Reis na terça-feira (27), em resposta a uma solicitação de informações feita pelo ministro. Segundo o prefeito, a administração municipal tem interesse no processo porque o presidente da Câmara ocupa o segundo lugar na linha de substituição do chefe do Executivo. Por isso, argumenta, a questão também envolve a estabilidade institucional de Salvador.

Prefeitura argumenta que Muniz já cumpriu dois biênios

O principal argumento apresentado pela Prefeitura é que Carlos Muniz já exerceu a presidência da Câmara durante dois períodos consecutivos.

Em março de 2022, Muniz foi eleito primeiro vice-presidente da Casa. Ele assumiu a presidência em 2 de janeiro de 2023, após Geraldo Júnior (MDB), que havia sido eleito para o cargo, renunciar para tomar posse como vice-governador da Bahia.

Posteriormente, Muniz foi eleito presidente para o biênio 2025-2026. Na avaliação da Prefeitura, uma nova eleição para o período de 2027-2028 permitiria que ele permanecesse no comando da Câmara de 2 de janeiro de 2023 a 1º de janeiro de 2029, completando seis anos consecutivos na função.

Documento cita recomendação do Ministério Público

A manifestação também menciona um procedimento aberto pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) após o recebimento de uma denúncia sobre a possível candidatura de Muniz à presidência da Câmara pela terceira vez consecutiva.

Na ocasião, o órgão recomendou que o vereador não concorresse ao cargo no biênio 2027-2028. Segundo o documento apresentado por Bruno Reis, os promotores avaliaram que a candidatura “vai de encontro a decisões vinculantes do Supremo Tribunal Federal”.

O Ministério Público também teria advertido que poderia adotar medidas judiciais e extrajudiciais para contestar e buscar a anulação de uma eventual candidatura.

Bruno Reis sustenta que o presidente da Câmara já tinha conhecimento do entendimento jurídico sobre o caso. Para o prefeito, “ao menos desde 30.9.2026, o atual Presidente da Câmara Municipal tem plena ciência de que a sua candidatura ao biênio 2027-2028 é incompatível com a jurisprudência” do STF.

Bruno Reis pede rejeição do recurso do PDT

Ao final da manifestação, o prefeito compara as regras aplicáveis ao Legislativo municipal com as limitações existentes para o Poder Executivo.

“Não há qualquer razão para que o dirigente de Casa Legislativa municipal possua prerrogativa que nem o Presidente da República possui”, afirma o documento.

Bruno Reis pede que o STF negue o recurso do PDT, preserve a decisão de Gilmar Mendes e julgue improcedente a ação. O prefeito também se posiciona contra o pedido do partido para que uma eventual mudança de entendimento tenha validade apenas para casos futuros.

Julgamento está previsto para novembro

O caso será analisado pelo plenário virtual do STF entre os dias 6 e 13 de novembro. Até a conclusão do julgamento, a disputa pela presidência da Câmara de Salvador segue em andamento.

O vereador Alexandre Aleluia (Novo), apoiado pelo grupo político de Bruno Reis, já reúne, segundo as informações apresentadas, o apoio de 33 dos 43 integrantes da Casa e negocia adesões da bancada de oposição.