Universidade expulsa estudantes de medicina após mensagens preconceituosas contra bolsistas

Unicesumar aplicou advertências, suspensões e desligamentos, conforme a gravidade das condutas; comentários discriminatórios foram divulgados nas redes sociais após o resultado das eleições presidenciais.

Por: Redação Alvoroço

Foto: Divulgação

A Universidade Cesumar (Unicesumar), instituição privada de ensino superior com sede em Maringá, no Paraná, aplicou punições a estudantes do curso de medicina após a divulgação de mensagens com comentários preconceituosos contra colegas bolsistas. As manifestações ocorreram em um grupo de mensagens da faculdade após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25).

As mensagens foram compartilhadas e denunciadas em uma conta criada por alunos nas redes sociais. O conteúdo motivou a apuração das condutas pela instituição.

Em nota, a universidade informou que os estudantes envolvidos receberam punições que variam de advertências e suspensões a desligamentos do quadro discente, conforme a gravidade de cada caso apurado.

A Unicesumar, no entanto, não divulgou quantos alunos foram penalizados.

Veja a nota na íntegra: 

“A UniCesumar comunica que concluiu no dia 30 de outubro a Sindicância Interna aberta para apuração dos fatos envolvendo mensagens trocadas em grupo de WhatsApp
por alunos da Instituição.

A Comissão de Sindicância recomendou e a Reitoria da Unicesumar decidiu pela aplicação de medidas disciplinares em relação aos alunos envolvidos, nos termos do Regimento Interno da universidade.

As medidas disciplinares foram: advertências, suspensões e desligamentos do quadro discente da Instituição, de acordo com a gravidade de cada conduta apurada.

A UniCesumar reafirma seu compromisso com a ética, a responsabilidade, o respeito à vida e os valores que orientam a formação de seus estudantes. A Instituição repudia
veementemente qualquer forma de discriminação ou preconceito.

O Núcleo de Apoio ao Estudante de Medicina (NAEME) permanece à disposição dos alunos para oferecer acolhimento, orientação e suporte, ter conhecimento sobre o caso e disse que os grupos de WhatsApp onde ocorreram as mensagens, não tem vínculo nenhum com a Instituição.”

Conselho de Medicina do Paraná manifesta repúdio

O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) também se manifestou sobre as denúncias. Em nota, a entidade repudiou os episódios e informou que adotará as providências necessárias diante dos fatos.

As manifestações discriminatórias foram direcionadas a estudantes beneficiados por bolsas de estudo e vieram à tona após a divulgação do resultado eleitoral, gerando repercussão nas redes sociais.

“Tais atitudes ferem diretamente os princípios fundamentais do Código de Ética do Estudante de Medicina, segundo os quais o estudante deve estar a serviço da saúde do ser humano e da coletividade, exercendo suas atividades sem discriminação de qualquer natureza.

A escolha pela Medicina exige compromissos humanísticos e humanitários, pautados pela promoção do bem-estar físico, mental e social dos indivíduos e da coletividade. Atitudes discriminatórias são incompatíveis com esses valores e não devem ser toleradas no ambiente de formação médica.

O CRM-PR adotará todas as providências cabíveis no âmbito de suas atribuições institucionais e acompanhará o desdobramento do caso, contribuindo para que haja uma apuração rigorosa e transparente dos fatos pelas instâncias competentes.”