Veterinária alerta para os riscos de segurar gatos pelo “cangote”

Veterinária explica por que a prática comum ainda persiste e como ela machuca física e emocionalmente os gatos. É hora de evoluir no cuidado

Foto: Photosaint/Getty Images.

Por muito tempo, acreditou-se que segurar um gato pelo cangote era uma forma prática — e até carinhosa de controlá-lo. A imagem das gatas carregando seus filhotes por ali ajudou a reforçar essa ideia. Mas o que muitos ignoram é que o significado desse gesto muda drasticamente na fase adulta. Na prática, o que parece um cuidado instintivo pode ser interpretado pelo animal como um ataque e ainda causar dor e lesões.

Entenda

  • Apesar de parecer inofensivo, pegar um gato pelo cangote não é apenas ultrapassado, é prejudicial. Segundo a veterinária Giovana Mazzotti, esse tipo de contenção mimetiza uma situação de conflito entre felinos, quando um morde o pescoço do outro para dominá-lo. Ou seja, o que o tutor acredita ser um gesto de controle ou carinho, o gato entende como um ato de violência.
  • Quando o animal é levantado pelo cangote, todo o peso do seu corpo fica concentrado naquela pequena área da pele, o que pode gerar dor, desconforto e até lesões.
  • Mesmo o argumento de que “as mães fazem isso com os filhotes” não justifica — porque o corpo do gato muda com o crescimento, e esse gesto de proteção materna passa a ser interpretado como agressão social.

Hoje, existem diversas técnicas modernas, seguras e muito mais respeitosas para conter um gato quando necessário — sem medo, sem dor, e com muito mais empatia. “Evoluir no cuidado com os animais é um dever de todos nós”, resume Giovana.

O cangote como ameaça, não como afeto

“Segurar um gato pelo cangote é uma forma de oprimir e amedrontar o animal”, explica Giovana Mazzotti, veterinária especializada em felinos. “Esse gesto imita o comportamento de um gato em conflito, que morde o pescoço do outro para imobilizá-lo. Ou seja, não é visto como carinho. É visto como ataque.”

Ainda pior é quando o animal é erguido pela pele do cangote — algo que, infelizmente, ainda é comum em clínicas, pet shops e até dentro de casa. “Nesse caso, o peso do corpo inteiro recai sobre uma área pequena e sensível. Pode causar dor, estresse e lesões físicas.”

O que causa confusão para muita gente é a lembrança das gatas com seus filhotes. “Sim, elas carregam os filhotes dessa maneira — e está certo. Mas o corpo do gato muda, e o significado social daquele gesto também. O que antes era proteção, passa a ser interpretado como agressão. É por isso que um gato adulto reage com medo ou com ataque.”

Foto: Photosaint/Getty Images.

É hora de evoluir

A veterinária faz um paralelo importante: “Da mesma forma que se acreditava que prender um cão numa corrente o tornaria um bom cão de guarda, ou que domar um cavalo exigia chicote, o manejo de gatos também evoluiu. Ainda há quem insista em métodos antigos.”

Atualmente, o que não falta são alternativas eficazes e respeitosas para conter um gato sem causar sofrimento. “Ambiente tranquilo, silêncio, ausência de cheiros fortes — especialmente de cachorro — já ajudam muito. Usar toalhas e mantas, permitir que o gato se esconda… tudo isso reduz o estresse.”

E se mesmo assim for preciso um procedimento mais delicado? “Em último caso, é melhor sedar o animal do que submetê-lo a uma contenção forçada. Isso já foi cientificamente comprovado: a sedação traz menos impacto físico e emocional do que o estresse da contenção bruta.”

Gatos não são “difíceis”, só precisam de respeito

Giovana finaliza com um recado direto: “A ideia de que o gato é agressivo ou imprevisível vem, muitas vezes, do medo que ele sente. Se você o trata com violência, ele vai reagir. É simples. Respeito não é mimo — é cuidado básico. Precisamos nos atualizar. Isso também é amor.”

Fonte: Metrópoles.