A medida atinge diretamente países como o Brasil, Austrália e Estados Unidos e tem caráter de proteger o mercado doméstico e terão validade de três anos
Por: Lucas Gravatá

O Ministério do Comércio da China informou nesta quarta-feira (31) que vai impor uma tarifa de 12% nas importações de carne bovina dentro da cota anual e uma sobretaxa de 55% quando exceder a cota. A medida atinge diretamente países como o Brasil, Austrália e Estados Unidos e tem caráter de proteger o mercado doméstico.
Os novos limites entraram em vigor nesta quinta (1º) e terão validade de três anos com novos limites de cotas. O Brasil é o país com a maior cota de importação de carne bovina, 1,1 milhão de toneladas, no entanto bem abaixo do volume de 1,5 milhão de toneladas exportada à China entre janeiro e novembro de 2025.
Em nota conjunta divulgada pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) nesta quarta (31), as novas medidas de salvaguardas implementadas pelo governo chinês, vai exigir uma reorganização do setor diante dos fluxos de produção e de exportação.
“As exportações brasileiras para a China são fruto de uma relação comercial construída ao longo de anos, baseada em fornecimento regular, previsibilidade e estrito cumprimento dos requisitos sanitários e técnicos acordados entre os dois países. A carne bovina brasileira, reconhecida por sua qualidade, exerce papel complementar no abastecimento do mercado chinês e contribui para a estabilidade da oferta ao consumidor”, diz o comunicado.
Em nota, o governo brasileiro disse que vai dialogar com a China para mitigar os efeitos e que vai atuar de forma coordenada com o setor privado. O comunicado segue afirmando que as conversas acontecerão no âmbito da relação bilateral quanto no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).
“As medidas de salvaguarda são instrumentos de defesa comercial previstos nos acordos da OMC e aplicados às importações de todas as origens”, diz a nota.
Para o governo brasileiro, o diálogo tem como objetivo reduzir o impacto e defender os interesses dos trabalhadores e do setor produtivo.