Declarações de governos e dos Chefes de Estados ao redor do mundo, têm em comum o respeito ao direito internacional e preocupações com a paz a segurança da região
Por: Lucas Gravatá

O ataque dos EUA à Venezuela na madrugada de sábado (3), gerou diferentes reações desde a América do Sul à críticas da China, Rússia e na Europa. Declarações de governos e dos Chefes de Estados ao redor do mundo, têm em comum o respeito ao direito internacional e preocupações com a paz a segurança da região.
Em pronunciamento feito na Flórida para detalhar a operação “Resolução Absoluta”, que capturou Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, afirmou que os EUA vão administrar o território venezuelano.
“Nós vamos administrar o país até o momento em que pudermos, temos certeza de que haverá uma transição adequada, justa e legal. Queremos liberdade e justiça para o grande povo da Venezuela. Não queremos que outra pessoa assuma o poder e nos deparemos com a mesma situação que tivemos nos últimos anos”, disse Trump
Reações na América Latina
Colômbia
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro disse que observa com profunda preocupação a consequente escalada da tensão na região.
“Nesse sentido, o governo colombiano rejeita qualquer ação militar unilateral que possa agravar a situação ou colocar em risco a população civil”, escreveu no X.
Cuba
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, criticou o ataque dos EUA à Venezuela, classificando como um ato covarde e criminoso “que viola o direito internacional e a Carta da ONU.”
“Trata-se de uma agressão imperialista e fascista flagrante, com o objetivo de dominação, buscando reavivar as ambições hegemônicas dos EUA sobre a América, enraizadas na Doutrina Monroe, e com a meta de obter acesso irrestrito e controle sobre os recursos naturais da Venezuela e da região. Busca também intimidar e subjugar os governos da América Latina e do Caribe”, comentou.
Chile
O presidente chileno, que está terminando seu mandato, escreveu no X que condena as ações militares dos Estados Unidos na Venezuela e apela por uma solução pacífica apoiada no multilateralismo.
“A crise venezuelana deve ser resolvida por meio do diálogo e do apoio do multilateralismo, não por meio da violência ou da interferência estrangeira”, disse ele.
Argentina
Javier Milei, presidente argentino, comemorou a ação dos EUA com uma postagem direta: “A liberdade avança! Viva a liberdade, droga!”
Equador
O presidente equatoriano, Daniel Noboa, recebeu a notícia da captura do líder venezuelano com entusiasmo ao instar os líderes da oposição e a população para tomar o poder.
“Para todos os criminosos narcotraficantes chavistas, sua hora está chegando. Sua estrutura vai desabar completamente por todo o continente.” Para María Corina, Edmundo González e o povo venezuelano: é hora de recuperar seu país. Vocês têm um aliado no Equador”, escreveu o líder equatoriano.
Brasil
Para o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva. a ofensiva ultrapassa uma linha “inaceitável e afronta a soberania do país.”
“Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, disse Lula.
Uruguai
Em nota oficial, o governo de Uruguai expressou “atenção e séria preocupação” com os desdobramentos da ação americana na Venezuela e rejeitou a possibilidade de uma intervenção militar no país.
Bolívia
O ministério das Relações Internacionais da Bolívia declarou que o país “reitera seu compromisso com a paz, a democracia e a coordenação com a comunidade internacional para assistência humanitária, proteção da população civil e apoio a um processo crível e definitivo de reconstrução institucional.”
Reações ao redor do mundo
Espanha
O presidente do governo da Espanha disse que está acompanhando a situação na Venezuela, apelando para a redução das tensões e o respeito ao direito internacional. Também afirmou que o consulado e a embaixada segue em funcionamento.
“A Espanha não reconheceu o regime de Maduro. Mas também não reconhecerá uma intervenção que viole o direito internacional e empurre a região para um horizonte de incerteza e beligerância”, disse.
Reino Unido
Sem citar a operação militar americana, o primeiro-ministro Keir Starmer comentou que não lamenta o fim do regime de Nicolás Maduro, mas apoia uma transição de poder na Venezuela e ao direito internacional.
“Reiterei esta manhã meu apoio ao direito internacional. O governo do Reino Unido discutirá a evolução da situação com seus homólogos dos EUA nos próximos dias, enquanto buscamos uma transição segura e pacífica para um governo legítimo que reflita a vontade do povo venezuelano”, escreveu no X o líder britânico.
Belarus condenou o ataque americano à Venezuela, classificando como uma “agressão armada”.
Rússia
O Ministério das Relações Exteriores condenou o ataque dos EUA e reafirmou sua “solidariedade com o povo venezuelano”, apelando por uma solução através do diálogo.
União Europeia
Kaja Kallas, chefe da UE, reiterou que os princípios do direito internacional sejam respeitados, embora não reconheça a legitimidade de Maduro no poder.
China
Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores da China condenou a ação militar na Venezuela, classificando a captura do líder venezuelano como ilegal, violando o direito internacional e colocando a América Latina e Caribe em instabilidade.
“A China condena veementemente o uso flagrante da força por parte dos Estados Unidos contra um país soberano e sua ação contra o presidente de outro Estado”, afirmou a chancelaria.