Petrobras registra acidente na Foz do Amazonas após vazamento de fluido e paralisa perfuração

Em nota, a estatal informou que o vazamento foi isolado. As linhas de perfuração serão enviadas à superfície para avaliação e reparos, e que o fluído utilizado “atende os limites de toxicidade permitidos” e é biodegradável, ou seja, sem danos ao meio ambiente e às pessoas

Por: Lucas Gravatá

Foto: Divulgação/Petrobras – Navio-sonda na Margem Equatorial

A Petrobras informou nesta terça-feira (6) que registrou um acidente com vazamento de fluído durante a perfuração no poço de Morpho, na Foz do Amazonas. As atividades serão suspensas em um período de 10 a 15 dias. As informação são da CNN Brasil.

De acordo com o comunicado da estatal, durante uma operação de rotina, a equipe percebeu a queda no nível do fluido de perfuração nos tanques da plataforma, indicando que parte do material estava sendo perdida.

Após inspeção sem anormalidades em superfície, um ROV — robô submarino operado remotamente — foi acionado e identificou vazamento a cerca de 2.700 metros de profundidade, com descarga direta para o mar. O volume estimado foi de 14,945 m³ de fluido de perfuração. A descarga foi instantânea e já está paralisada.

Em nota, a empesa disse que a perda do fluído foi contida e isolada e as linhas serão levadas à superfície para avaliação e reparo.

“Não há problemas com a sonda ou com o poço que permanecem em total condição de segurança”, informou a companhia.

Segundo a empresa, a ocorrência também não oferece risco à segurança da perfuração, que adota todas as medidas de controle e explica que o fluído utilizado “atende os limites de toxicidade permitidos” e é biodegradável, ou seja, sem danos ao meio ambiente e às pessoas.

Autorização do Ibama

Em outubro de 2025, o Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) concedeu à Petrobras a licença de operação para perfurar uma área de exploração em águas profundas na Foz do Amazonas.

No documento, o Ibama disse que a empresa fez uma série de aperfeiçoamentos no projeto da área a ser explorada e que a licença ocorreu “após rigoroso processo de licenciamento ambiental, que contou com elaboração de Estudo de Impacto Ambiental (EIA/RIMA), realização de três audiências públicas, 65 reuniões técnicas setoriais em mais de 20 municípios dos estados do Pará e do Amapá, vistorias em todas as estruturas de resposta à emergência e unidade marítima de perfuração, além da realização de uma Avaliação Pré-Operacional, que envolveu mais de 400 pessoas, incluindo funcionários e colaboradores da Petrobras e equipe técnica do Ibama.”

A Petrobras afirmou que comprovou a “robustez de toda a estrutura de proteção ao meio ambiente” que será usada no processo da perfuração.

“Nesse processo, a companhia pôde comprovar a robustez de toda a estrutura de proteção ao meio ambiente que estará disponível durante a perfuração em águas profundas do Amapá. Vamos operar na Margem Equatorial com segurança, responsabilidade e qualidade técnica”, disse a Petrobras.

Margem Equatorial

Foto: Divulgação/Petrobras

A margem equatorial é a mais nova fronteira de exploração de petróleo e gás natural no litoral norte e nordeste do Brasil. A área se estende entre os estados do Amapá e Rio Grande do Norte.

A exploração ocorre na Bacia da Foz do Amazonas, onde a Petrobras recebeu permissão para explorar e coletar informações geológicas e avaliar se há petróleo e gás em escala comercial.

O bloco exploratório está localizado a cerca de 175 km da costa do estado do Amapá, a mais de 2.800 metros de profundidade e a cerca de 500 km da Foz do Rio Amazonas.

Segundos os dados levantados pelo Centro Brasileiro de Infraestrutura, a área tem potencial de produzir cerca de 1,1 milhão de barris de petróleo por dia a partir de 2029.