Correios começam a vender imóveis para tentar conter déficit bilionário e reequilibrar finanças

A expectativa da direção da empresa é arrecadar até R$ 1,5 bilhão até dezembro de 2026 com a alienação de ativos considerados ociosos ou com baixa utilização

Por: Lucas Gravatá

Foto: Emerson Nogueira/Futura Press/Estadão Conteúdo

Os Correios iniciaram um processo de venda de imóveis próprios como parte de um plano mais amplo para enfrentar a grave crise financeira que afeta a estatal e reduzir o déficit acumulado nos últimos anos. A estratégia foi anunciada oficialmente nesta sexta-feira (6) e faz parte do esforço da empresa para reforçar o caixa e estabilizar suas operações.

A expectativa da direção da empresa é arrecadar até R$ 1,5 bilhão até dezembro de 2026 com a alienação de ativos considerados ociosos ou com baixa utilização. Em uma primeira etapa, 21 imóveis serão ofertados em leilões 100% digitais nos dias 12 e 26 de fevereiro, com participação aberta a pessoas físicas e jurídicas. Entre os bens disponíveis estão prédios administrativos, galpões, terrenos, lojas e apartamentos funcionais, com valores iniciais que variam de cerca de R$ 19 mil a R$ 11 milhões.

A alienação dos imóveis integra um plano de reestruturação financeira delineado pela estatal, que inclui ainda medidas como demissão voluntária e revisão de despesas, para enfrentar um modelo de negócios pressionado por prejuízos sucessivos e custos elevados. A crise dos Correios tem se refletido nos resultados financeiros da empresa. Em 2025, por exemplo, o rombo acumulado até setembro já superou os R$ 6 bilhões e projeções apontam um déficit total que pode ultrapassar os R$ 9 bilhões no período.

Além dos leilões de imóveis, as ações de ajuste contemplam iniciativas como cortes de despesas operacionais, redução de unidades deficitárias e programas de desligamento voluntário para reduzir o quadro de funcionários. Analistas apontam que a venda de ativos é uma solução de curto prazo para gerar recursos, mas alertam que a sustentabilidade financeira da estatal dependerá de mudanças estruturais mais profundas no modelo de operação.

Os Correios acumulam um grande portfólio de propriedades espalhadas pelo país, entre centros de distribuição, lojas e escritórios, muitos dos quais são subutilizados ou não atendem mais às necessidades operacionais, o que motivou a decisão de colocá-los no mercado.

A estatal afirma que a alienação desses ativos não comprometerá a prestação dos serviços postais à população e que as receitas obtidas serão destinadas à reorganização das finanças, à redução de custos fixos e à modernização da infraestrutura logística.

O movimento dos Correios ocorre em meio a um debate maior sobre o futuro da empresa, sua competitividade frente a operadores privados e a necessidade de ajustes que preservem seu papel de serviço público, ao mesmo tempo em que garantam sua viabilidade econômica. Especialistas ressaltam que decisões como a venda de imóveis devem ser acompanhadas de medidas que aumentem a eficiência e a capacidade de resposta da estatal no mercado.