Anvisa monitora 65 mortes suspeitas ligadas ao uso de canetas emagrecedoras no Brasil

Por: Lucas Gravatá

Foto: Reprodução/Agência Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que o sistema de farmacovigilância VigiMed registrou 65 óbitos classificados como suspeitos em usuários de canetas emagrecedoras, no período entre 1º de dezembro de 2018 e 7 de dezembro de 2025. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (20) em boletins de imprensa e constam das notificações recebidas no banco de dados da agência.

O levantamento também revelou 2.436 notificações de possíveis reações adversas associadas a esses medicamentos durante os sete anos. Quase metade dos registros, cerca de 1.128 casos, foi notificada apenas em 2025, reflexo do crescimento no uso dessas substâncias no país.

Entre os efeitos relatados estão sintomas já descritos nas bulas, como náuseas, vômitos, mal-estar, diarreia e constipação, além de casos de pancreatite — inflamação grave do pâncreas — que somaram 145 notificações no VigiMed. Quando incluídos dados de estudos clínicos que não entram na base do sistema, esse total chega a 225 relatórios de pancreatite.

Os medicamentos monitorados incluem princípios ativos amplamente usados tanto no tratamento da diabetes tipo 2 quanto da obesidade: semaglutida (como em Ozempic e Wegovy), tirzepatida (Mounjaro), liraglutida (Saxenda, Victoza) e dulaglutida (Trulicity).

A Anvisa reforça que o registro de um evento no VigiMed não comprova que o medicamento tenha causado a morte ou a reação adversa notificada, mas indica que o episódio foi comunicado para análise dentro do processo de vigilância pós-mercado. Em nota, a agência destacou que “a relação de risco × benefício destes medicamentos segue sem alterações, considerando as indicações aprovadas”, e ressaltou que os casos são investigados de forma agregada, não individualizada.

A agência também esclareceu que a farmacovigilância usa outras ferramentas complementares, como estudos controlados, pesquisas científicas independentes e análises de pós-mercado com rigor metodológico, para monitorar o perfil de segurança e eficácia dos medicamentos ao longo do tempo.

Ainda não há confirmação de qual proporção dos casos envolve medicamentos registrados no Brasil, fórmulas manipuladas ou produtos irregulares, já que muitas notificações mencionam apenas o princípio ativo sem detalhar a origem do insumo.