“Não é mulher, é trans”; diz Ratinho sobre Erika Hilton assumir a presidência da Comissão dos Direitos da Mulher na Câmara

Por: Redação Alvoroço

Fotos: Lourival Ribeiro e Francisco Cepeda/SBT // Reprodução redes sociais

Uma declaração do apresentador Ratinho durante seu programa no SBT provocou forte repercussão nas redes sociais e no meio político após ele comentar a eleição da deputada federal Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados do Brasil. A fala ocorreu na noite de quarta-feira (11) e foi considerada por críticos como transfóbica.

Durante a atração televisiva, o apresentador questionou a escolha da parlamentar para comandar o colegiado e afirmou que não concordava com a decisão. Em um dos trechos exibidos ao vivo, Ratinho disse que a deputada “não é mulher, é trans”, acrescentando que, em sua opinião, “para ser mulher tem que ter útero e menstruar”.

As declarações geraram reação imediata nas redes sociais e críticas de ativistas e parlamentares, que classificaram o comentário como discriminatório contra pessoas trans.

A própria deputada reagiu publicamente. Em publicações nas redes sociais, Erika Hilton afirmou que não se preocupa com ataques e destacou o simbolismo político de sua eleição. Em uma das mensagens, escreveu que não está “nem um pouco preocupada se o esgoto da sociedade não gostou”.

Além da resposta pública, a parlamentar decidiu adotar medidas legais. Erika Hilton abriu um processo no Ministério Público de São Paulo contra o apresentador e o SBT, pedindo investigação das declarações do por possível discurso de ódio e transfobia, o que pode resultar em responsabilização criminal caso as autoridades entendam que houve crime. Também pede uma indenização de R$ 10 milhões que será destinado para mulheres vítimas de violência.

“Sim, estou processando o apresentador Ratinho. Sei que, pela audiência irrisória de seu programa, que até onde sei não agrada nem suas chefes no SBT, lhe resta apelar à violência. Porque o que o apresentador cometeu foi uma violência, um ataque, e não foi só contra mim”, disse a deputada em uma publicação no X, antigo Twitter.

Eleita deputada federal por São Paulo, Hilton tornou-se uma das principais vozes do movimento LGBTQIA+ no Congresso e a primeira mulher trans a assumir a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara, fato considerado simbólico por aliados e apoiadores.