Alta do diesel reacende ameaça de greve dos caminhoneiros no Brasil

Por: Redação Alvoroço

Foto: José Lucena/Futura Press/Agência Estado

A recente alta no preço do diesel voltou a gerar tensão entre caminhoneiros em todo o país e reacendeu o risco de uma nova paralisação da categoria. Nos últimos dias, lideranças do setor passaram a alertar o governo federal sobre a insatisfação crescente com os sucessivos aumentos nas bombas, considerados abusivos por parte dos profissionais do transporte de carga.

Devido a guerra do EUA e Israel contra o Irã, que afeta o mercado internacional de petróleo, refletiu no preço do diesel. Desde fevereiro, o preço do combustível aumentou em 18,86%. Em meio a esse cenário, grupos de caminhoneiros passaram a discutir mobilizações e até paralisações pontuais, especialmente em áreas estratégicas como portos e centros logísticos.

A CNTTL (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística) afirmou em nota nesta terça-feira (17), que apoia a paralisação. No entanto, a entidade recuou da decisão nesta quarta (18), alegando que fará uma reunião com os caminhoneiros autônomos na tarde de hoje, em Santos (SP), para definir o apoio à greve.

A associação pede que o governo federal tome medidas mais urgentes para conter a alta do diesel no Brasil. No dia 12 de março, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) havia anunciado que o governo não os impostos federais (PIS/Cofins) )sobre o diesel foram zerados para conter a alta do combustível diante da escalada do preço do petróleo com a guerra no Oriente Médio.

Lula também pediu que governadores reduzam o ICMS cobrado no diesel, no entanto o Comsefaz (Comitê Nacional de Secretários de Fazenda) emitiu nota nesta terça rejeitando a medida por considerar o efeito seria limitado nas bombas, visto que essas “reduções costuma ser absorvida ao longo da cadeia de distribuição e revenda.”

A entidade também alerta que eventuais medidas devem estar acompanhadas  com responsabilidade social, econômica e federativa, considerando seus impactos no financiamento de políticas públicas.

“Ressalta ainda que iniciativas voltadas à redução de preços devem considerar também seus efeitos sobre o financiamento de políticas públicas essenciais mantidas por estados e municípios, como saúde, educação, segurança pública, transporte e infraestrutura”, diz a nota.

O tema preocupa autoridades, que acompanham o movimento com cautela devido ao histórico recente. Greves de caminhoneiros, como a de 2018, provocaram desabastecimento, impacto na inflação e paralisação de setores estratégicos da economia. Diante do risco de novos protestos, o governo federal intensificou o diálogo com representantes da categoria para tentar evitar uma crise logística no país.