Por: Redação Alvoroço

A União Europeia avançou no desenvolvimento do euro digital, versão eletrônica da moeda oficial do bloco que pretende ampliar as opções de pagamento para consumidores e reforçar a autonomia financeira da região. O projeto é coordenado pelo Banco Central Europeu (BCE) e tem como uma de suas referências a infraestrutura pública utilizada pelo Pix, sistema brasileiro de pagamentos instantâneos.
A iniciativa ganhou impulso em meio ao aumento das tensões comerciais entre Europa e Estados Unidos e ao debate sobre a dependência europeia de empresas estrangeiras que dominam o mercado de pagamentos digitais.
Atualmente, cerca de dois terços das operações com cartões na zona do euro são processadas por companhias de fora do continente. Entre elas estão as bandeiras Visa e Mastercard, além de plataformas como Apple Pay, Google Pay e PayPal, todas controladas por empresas norte-americanas.
Na avaliação das autoridades europeias, essa concentração pode representar um risco para a soberania financeira do bloco, especialmente em cenários de instabilidade econômica ou geopolítica.
Segundo Alessandro Giovannini, assessor do projeto de euro digital no Banco Central Europeu, mais da metade dos países da zona do euro ainda não possui um sistema nacional de cartões para pagamentos cotidianos.
“O euro digital reduzirá a dependência de soluções não europeias. Nenhuma outra iniciativa tem a mesma ambição de fortalecer, de forma estrutural, a soberania europeia”, afirmou.
Como será o euro digital
Apesar de frequentemente ser comparado ao Pix, o euro digital terá um funcionamento diferente.
Enquanto o Pix é um sistema que permite transferências instantâneas entre contas bancárias, o euro digital será uma moeda eletrônica emitida diretamente pelo Banco Central Europeu.
A proposta prevê que a nova moeda possa ser utilizada para:
- pagamentos em lojas físicas;
- compras pela internet e em aplicativos;
- transferências entre pessoas;
- pagamentos por meio de dispositivos móveis;
- transações sem acesso à internet, utilizando a modalidade offline prevista no projeto.
A possibilidade de realizar pagamentos mesmo sem conexão com a rede é considerada um dos principais diferenciais da iniciativa, segundo especialistas.
Pix serviu de referência
Embora o BCE não pretenda reproduzir o modelo brasileiro, especialistas apontam que o sucesso do Pix demonstrou a viabilidade de uma infraestrutura pública de pagamentos com ampla escala, rapidez e baixo custo operacional.
Assim como ocorre no Brasil, a infraestrutura tecnológica do euro digital ficará sob responsabilidade do banco central, e não de empresas privadas.
O Pix foi lançado em 2020 e transformou a forma como brasileiros realizam pagamentos e transferências eletrônicas. A experiência brasileira passou a ser observada por autoridades monetárias de diversos países que estudam a criação de moedas digitais e novos sistemas públicos de pagamento.
De acordo com o cronograma divulgado pelo Banco Central Europeu, a fase de testes do euro digital está prevista para começar em 2027.