Itamaraty nega visto a diplomatas dos EUA; governo americano diz que missão não buscava interferir nas eleições

Por: Redação Alvoroço

Foto: Palácio Itamaraty/Ministério das Relações Exteriores

O Ministério das Relações Exteriores negou, nesta sexta-feira (24), os pedidos de visto de dois integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos que tinham viagem prevista ao Brasil nos próximos dias.

A decisão ocorreu após reportagem do jornal norte-americano The Washington Post afirmar que o secretário-assistente para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, Riley Barnes, e o subsecretário-assistente Samuel Samson pretendiam preparar uma ofensiva para questionar a confiabilidade das urnas eletrônicas e do sistema eleitoral brasileiro.

Os dois diplomatas são subordinados ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, considerado um dos principais aliados da família Bolsonaro em Washington.

Nos bastidores, ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF), ouvidos pela CNN sob reserva, classificaram como uma “ousadia” a possibilidade de representantes de outro país virem ao Brasil para colocar em dúvida a lisura das eleições.

Integrantes do Judiciário e do governo, no entanto, ressaltaram que a presença de observadores internacionais durante o processo eleitoral é uma prática comum e voltada ao intercâmbio de experiências e ao acompanhamento do funcionamento do sistema de votação brasileiro.

Em nota, o Tribunal Superior Eleitoral informou que a Embaixada dos Estados Unidos entrou em contato com a área internacional da Corte para tratar da visita, mas não detalhou a pauta que seria discutida. Segundo o tribunal, o encontro não foi realizado devido ao recesso do Judiciário.

O TSE acrescentou que o presidente da Corte, ministro Kássio Nunes Marques, participou de uma reunião com embaixadores em junho para apresentar informações sobre o processo eleitoral brasileiro e que um novo encontro está previsto para agosto.

“A diplomacia dos EUA será convidada, além de todos os países com representação no Brasil”, informou o tribunal.

Governo dos EUA nega tentativa de interferência

Neste sábado (25), o Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou que a missão dos diplomatas ao Brasil não tinha como objetivo interferir no processo eleitoral brasileiro.

Em nota divulgada após a negativa dos vistos pelo Itamaraty, um porta-voz da pasta afirmou que a viagem fazia parte de uma agenda institucional e rejeitou as informações de que haveria intenção de desacreditar o sistema eleitoral do país.

Segundo o comunicado, Riley M. Barnes e Samuel Samson permaneceriam em Brasília entre os dias 27 e 30 de julho para cumprir compromissos com integrantes do governo brasileiro, líderes religiosos e representantes da sociedade civil.

De acordo com o governo americano, os encontros abordariam temas como “integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão”.

“Qualquer insinuação de que a visita seria uma ‘manobra’ para minar as eleições de uma nação democrática é uma mentira sem fundamento. Tratava-se de uma visita de rotina, em conformidade com as atribuições legais do DRL”, afirmou o porta-voz do Escritório de Imprensa do Departamento de Estado.