PF pede ao STF abertura de terceiro inquérito para investigar Lulinha por suspeita de tráfico de influência

Por: Redação Alvoroço

Foto: Alex Silva / Estadão

A Polícia Federal encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de abertura de um terceiro inquérito para investigar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A nova investigação busca apurar suspeitas de tráfico de influência em benefício de empresas parceiras.

O pedido será analisado pelo ministro André Mendonça. Caso autorizado, este será o terceiro inquérito envolvendo Lulinha relacionado à Operação Sem Desconto, que investiga um esquema bilionário de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Segundo a Polícia Federal, Lulinha é suspeito de utilizar o nome do presidente da República para favorecer a empresa 3Structure It LTDA, do setor de tecnologia. A companhia mantém contratos que somam R$ 55,7 milhões com órgãos do governo federal.

Criada em 2019 e sediada em Florianópolis (SC), a empresa firmou o primeiro contrato com o Centro Integrado de Telemática do Exército, em novembro de 2022, para ampliar a infraestrutura de armazenamento do Sistema de Telemática da instituição. Inicialmente avaliado em R$ 21,8 milhões, o contrato recebeu um aditivo de R$ 3,6 milhões em julho deste ano.

Defesa fala em perseguição

Procurada, a defesa de Lulinha negou irregularidades e afirmou que o filho do presidente é alvo de perseguição por causa do vínculo familiar com o chefe do Executivo.

“É inadmissível que uma instituição tão importante (como a PF) preste esse tipo de desserviço. Quero reconhecer que o diretor da Polícia Federal tem nosso respeito. Ele tem fortalecido a independência e autonomia da PF, mas alguns setores estão usando isso de maneira desnecessária”, afirmou o advogado Marco Aurélio de Carvalho.

O defensor também criticou a atuação dos investigadores.

“Ao que parece, esses setores estão promovendo uma pesca probatória, que só teve precedentes na história do país na chamada Operação Lava Jato. Esses setores estão fazendo uma verdadeira caçada contra o Fábio, que carrega o peso do sobrenome. Se ele não fosse o filho do presidente Lula, esse inquérito jamais teria sido instaurado e os anteriores teriam sido arquivados”, declarou.

Outros inquéritos

Na última quinta-feira (30), o ministro André Mendonça autorizou a abertura de dois inquéritos para investigar Lulinha.

O primeiro apura suspeitas de tráfico de influência e corrupção passiva em negociações relacionadas ao processo de autorização para comercialização de cannabis medicinal no Ministério da Saúde. A investigação envolve o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

O segundo inquérito investiga a suposta atuação de Lulinha em favor de um empresário do setor de tecnologia em negociações com a Dataprev, estatal responsável pelo gerenciamento de dados de programas sociais, como INSS, Bolsa Família e seguro-desemprego.

Operação Sem Desconto

As suspeitas contra Lulinha surgiram durante as investigações da Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal. A apuração investiga um esquema de fraudes envolvendo descontos não autorizados em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.

De acordo com a PF, há indícios de que o filho do presidente teria utilizado sua proximidade com integrantes do governo federal para beneficiar interesses privados, entre eles os ligados à comercialização de canabidiol e a contratos com órgãos públicos. Um dos investigados citados pela corporação é o “Careca do INSS”, apontado como um dos principais operadores do esquema investigado.