Lula destacou que restaurar a parceira com a União Europeia em novas bases, foi uma das prioridades desde o início do meu terceiro mandato e que o acordo deve promover a reindustrialização do Brasil
Por: Redação Alvoroço

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, se reuniram nesta sexta-feira (16), no Rio de Janeiro, para celebrar o acordo do Mercosul com a União Europeia.
Lula destacou que restaurar a parceira com a União Europeia em novas bases, foi uma das prioridades desde o início do meu terceiro mandato e que o acordo deve promover a reindustrialização do Brasil.
“Quando determinei a retomada das negociações do acordo, deixei claro que esse processo deveria ser compatível com os objetivos de promoção do crescimento econômico e de reindustrialização do Brasil”, disse o presidente.
Lula reafirmou que a dimensão do acordo vai além da economia, envolve também a democracia e valores comuns, como “Estado de Direito e direitos humanos”.
“Amanhã [sábado], em Assunção, UE e Mercosul farão história ao criar uma das maiores áreas de livre comércio do mundo reunindo cerca de 720 milhões de pessoas e um produto interno bruto de US$ 22 trilhões. Essa é uma parceria baseada no multilateralismo”, acrescentou Lula.
“Esse acordo de parceria vai além da dimensão econômica. A UE e o Mercosul compartilham valores como respeito à democracia, ao Estado de Direito e aos direitos humanos. Mais diálogo político e mais cooperação vão garantir padrões elevados aos direitos trabalhistas e à defesa do meio ambiente”, continuou.
A União Europeia aprovou o acordo de livre comércio com o Mercosul no dia 9 de janeiro, em Bruxelas. As negociações entre os dois blocos comerciais duraram 25 anos.
A assinatura do tratado está marcada para este sábado (17), em Assunção, capital do Paraguai. Lula, no entanto, não comparecerá à cerimônia.
Após a fala de Lula, a presidente da Comissão Europeia, Úrsula Von de Leyer, definiu que o acordo entre os dois blocos é uma “conquista de toda uma geração” e destacou o papel central do presidente brasileiro para finalizar as negociações.
“Mas a liderança política, compromisso pessoal e a paixão que o senhor demonstrou nas últimas semanas, nos últimos meses, é algo incomparável”, afirmou a presidente da Comissão Europeia.
Von de Leyer acrescenta que o acordo Mercosul com União Europeia “dá boas-vindas ao maior mercado do mundo e a maior zona de livre comércio do plano. É o poder da parceria, da abertura. É o poder da amizade, da compreensão, entre povos e regiões”.
Mercosul e UE
O Mercosul é formado por 4 países: Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia. A união Europeia possui 27 membros. Juntos, os blocos representam um mercado de cerca de 720 milhões de consumidores e um fluxo comercial bilionário.
O acordo cria uma zona de livre comércio entre os dois blocos econômicos, com redução gradual de barreiras comerciais e tarifas a diversos produtos.
Do lado europeu, o comércio entre os dois blocos abre espaço para ampliar exportações de produtos industriais, como automóveis, máquinas, equipamentos, medicamentos, entre outros. Para o Mercosul, o principal ganho está nas exportações facilitadas de produtos agropecuários, como carne, soja, açúcar, etanol e suco de laranja.
Antes da aprovação do acordo, a União Europeia adicionou salvaguardas protecionistas, estabelecendo um limite de 5% no volume de produtos importados do Mercosul. A Itália, que tinha colocado dificuldades para assinar o tratado e pediu mais tempo para analisar o acordo, aprovou o acordo, após o bloco europeu garantir um incentivo bilionário ao longo dos anos ao setor agrícola do país.
A França, um dos países contrários ao acordo, disse que o mercado europeu seria inundado por produtos mais competitivos do Mercosul, como a carne bovina, soja, aves e arroz. Por outro lado, o tratado vai facilitar a exportação de veículos, maquinaria, queijos e vinhos europeus para o Mercosul.
Próximos passos
Na sequência, o Parlamento Europeu e o Legislativo de cada país do Mercosul deverão aprovar o tratado de forma individual para que o tratado entre em vigor.