Anvisa investiga 13 casos de suspeita de perda de visão associados a canetas emagrecedoras

Notificações envolvem Ozempic, Wegovy, Wegovy FlexTouch, Rybelsus e Mounjaro; especialistas dizem que não há indicação de suspender os medicamentos.

Por: Redação Alvoroço

Foto: Banco de dados, Ilustração

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) investiga 13 notificações de suspeita de perda de visão em pacientes que utilizavam medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras no Brasil. Os registros estão sendo analisados para verificar se existe alguma relação com a neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (Noiana), uma doença rara que pode causar perda permanente da visão.

Os dados foram levantados pelo g1 no painel de farmacovigilância da Anvisa. As notificações envolvem cinco medicamentos:

  • Ozempic: 5 notificações;
  • Wegovy: 3 notificações;
  • Wegovy FlexTouch: 2 notificações;
  • Rybelsus: 2 notificações;
  • Mounjaro: 1 notificação.

A existência de uma notificação, porém, não significa que o medicamento tenha sido comprovadamente responsável pelo problema de saúde. A investigação busca justamente identificar se há uma relação entre o uso dos remédios e os casos registrados.

Especialistas não recomendam suspensão dos medicamentos

Questionados pelo g1 sobre a possibilidade de interromper o uso dos medicamentos enquanto as notificações são investigadas, especialistas afirmaram que não há, neste momento, indicação para uma suspensão geral.

Segundo os médicos ouvidos, os estudos disponíveis apontam que os benefícios dos medicamentos superam os riscos para pacientes que têm indicação clínica. Além disso, a associação entre as canetas emagrecedoras e a Noiana ainda não foi confirmada.

“Todo remédio tem pequenos riscos e o benefício tem que ser maior do que o risco. Então, se alguém vai tomar esse remédio sem necessidade, só por vaidade, talvez não deva tomar”, defende Rubens Belfort Neto, oftalmologista, doutor e pós-doutor pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo.

Painel registra outras complicações visuais

Além das 13 notificações relacionadas à suspeita de neuropatia óptica, o painel da Anvisa reúne outros 74 registros de complicações visuais em pessoas que utilizavam medicamentos para emagrecimento.

Os relatos estão distribuídos entre:

  • Rybelsus: 22 registros;
  • Wegovy: 19;
  • Mounjaro: 17;
  • Ozempic: 16.

A alteração mais registrada é a visão turva, com 37 notificações. Em seguida aparece o comprometimento visual, com 29 registros.

Também há relatos de redução da acuidade visual, perda da visão central, perda súbita da visão e alterações no campo visual.

Os números não representam necessariamente a quantidade de pacientes, já que uma mesma notificação pode incluir mais de um sintoma.

Queixas podem ter outras causas

Segundo Belfort Neto, alterações visuais como as registradas no sistema da Anvisa são relativamente frequentes em consultórios e podem estar associadas a diferentes condições de saúde.

O médico afirma que, até o momento, não existem pesquisas que comprovem uma relação entre essas queixas e o uso das canetas. Os sintomas também podem estar relacionados a doenças ou condições de saúde que o paciente já apresentava antes do tratamento.

O que dizem os fabricantes

A Novo Nordisk, responsável por medicamentos à base de semaglutida, informou ao g1 que uma análise de seus ensaios clínicos não identificou aumento na ocorrência da doença entre os pacientes que utilizaram o princípio ativo. A empresa afirmou ainda que mantém a avaliação de que os benefícios e riscos dos medicamentos são favoráveis.

A Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, afirmou que acompanha continuamente os dados de segurança dos medicamentos produzidos pela empresa, incluindo possíveis efeitos relacionados à saúde dos olhos.

Canetas podem chegar ao SUS

Os medicamentos para controle do peso também estão em discussão no Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde anunciou a possibilidade de oferta desse tipo de tratamento na rede pública.

A disponibilização, porém, não significa que todas as pessoas poderão receber as chamadas canetas emagrecedoras. A utilização dependerá das indicações e dos critérios definidos para cada tratamento, além das restrições que já existem atualmente para esses medicamentos.