Por: Redação Alvorço

Mateus da Costa Meira, condenado pelo ataque a tiros que matou três pessoas e deixou outras nove feridas em uma sala de cinema do Morumbi Shopping, em São Paulo, em 1999, tem sido visto com frequência no Shopping Barra, em Salvador. A informação foi divulgada pelo colunista Ulisses Campbell, do jornal O Globo.
Segundo a publicação, Mateus, de 50 anos, circula pelo centro de compras, que reúne mais de 300 lojas, um complexo de cinemas e recebe milhares de visitantes diariamente.
O médico Marco Antônio Damasceno, que estudou com Mateus na infância, afirmou já tê-lo encontrado diversas vezes no local.
“Também já vi o Mateus várias vezes na bilheteria do cinema. Está acima do peso e me parece bem sombrio. Me cumprimentou normalmente. Fiquei com medo porque ele carregava uma mochila”, relatou.
Justiça impõe condições
Mateus deixou o Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico da Bahia em 2024 após decisão da Justiça. A liberdade foi concedida mediante algumas condições, entre elas a obrigação de morar com os pais e dar continuidade ao tratamento psiquiátrico.
De acordo com a reportagem de O Globo, ele estaria vivendo sozinho em uma quitinete em Salvador, situação que contraria as determinações judiciais.
Ainda segundo a publicação, os pais de Mateus — o oftalmologista Deolindo Vanderlei Meira, de 87 anos, e a enfermeira Alina da Costa Meira, de 84 — relataram à Justiça episódios de agressão praticados pelo filho. Em um dos casos, o pai sofreu fraturas em três costelas durante uma discussão.
Ataque no cinema
O crime ocorreu em novembro de 1999, durante uma sessão de cinema no Morumbi Shopping, na capital paulista. Em 2003, Mateus foi condenado pelo Tribunal do Júri a 120 anos de prisão. Na época, uma perícia concluiu que ele tinha plena capacidade de compreender seus atos e, por isso, poderia responder criminalmente pelos crimes.
Após ser transferido para a Bahia, um novo incidente de insanidade mental foi instaurado. Com base em laudos apresentados posteriormente, a Justiça baiana determinou sua absolvição imprópria e o encaminhamento para internação por tempo indeterminado em hospital de custódia.
Durante o período em que permaneceu internado, avaliações psiquiátricas apontaram ausência de empatia e de arrependimento em relação às vítimas do ataque.

Em um depoimento anexado ao processo, Mateus declarou: “Eu me arrependo, mas é aquele arrependimento egoísta porque, é claro, a pessoa vai pensar primeiro em si mesma. Eu me arrependo primeiro em relação a mim, depois em relação aos meus pais, porque não pensei neles quando fiz isso. Por fim, nos familiares das vítimas. Eu me arrependo do que fiz, mas quem está sentindo isso sou eu e minha família. Quer dizer, penso primeiro em mim porque quem está preso aqui, sofrendo, sou eu.”
Lista de possíveis alvos
Segundo documentos do processo, Mateus também chegou a elaborar uma lista com pessoas que pretendia atacar. Entre os nomes estavam ex-defensores, integrantes do júri, profissionais da imprensa, servidores do sistema prisional, companheiros de cela, além de médicos e psicólogos que participaram de sua avaliação e acompanhamento ao longo do processo judicial.