Por: Redação Alvoroço

O presidente da Câmara Municipal de Salvador, Carlos Muniz, criticou nesta terça-feira (21) a proposta de implantação do sistema Kiss & Fly no Aeroporto Internacional de Salvador, que prevê a cobrança de R$ 18 para veículos que permanecerem por mais de 10 minutos na área de embarque e desembarque.
Durante entrevista ao programa Giro Baiana, da rádio Baiana FM (89,3), o vereador afirmou que a medida pode prejudicar principalmente os motoristas por aplicativo e defendeu que os critérios adotados para a cobrança sejam avaliados pela Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador).
Segundo Muniz, a tarifa compromete a rentabilidade das corridas de menor valor e pode fazer com que condutores arquem com custos superiores ao lucro obtido no serviço.
“Um motorista de Uber, se ele pegar uma passagem de R$ 15, ele vai pagar para trabalhar. Daqui que o passageiro tira a mala, é por isso que eles se revoltaram, fizeram protesto e tudo mais”, afirmou.
O presidente da Câmara também argumentou que motoristas de aplicativo e taxistas precisam de condições que permitam o exercício da atividade sem prejuízos financeiros. Conforme explicou, em uma corrida de aproximadamente R$ 25, o valor líquido recebido pelo motorista após o desconto da plataforma gira em torno de R$ 16 ou R$ 17, quantia inferior à tarifa prevista pelo novo sistema.
Muniz ainda questionou os estudos técnicos utilizados para estabelecer o tempo máximo de permanência de 10 minutos e o valor da cobrança. Na avaliação do vereador, esse tipo de decisão deveria contar com a participação do órgão municipal responsável pelo trânsito.
“O estudo não tem que ser deles. O estudo tem que ser do órgão de trânsito de Salvador, da Transalvador. Como é que para fazer um empreendimento em Salvador precisa de um estudo do órgão de trânsito e, para fazer uma cobrança, não precisa?”, declarou.
Apesar das críticas, o parlamentar afirmou não ser contrário à atuação da concessionária responsável pela administração do aeroporto nem aos investimentos privados na cidade. No entanto, classificou a cobrança proposta como excessiva.
“Não tenho nada contra a empresa. Pelo contrário, acho que quem traz emprego para Salvador é bem-vindo. Agora, sem querer fazer extorsão. Isso aí, para mim, é uma extorsão na cobrança”, concluiu.