Comissão aponta que JK pode ter sido assassinado pela ditadura militar quase 50 anos após morte

Relatório da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos contesta versão oficial de acidente na Via Dutra e pede reconhecimento de crime político

Por: Lucas Gravatá

Foto: Reprodução ICL

Um novo relatório da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) concluiu que o ex-presidente Juscelino Kubitschek pode ter sido assassinado durante a ditadura militar, em 1976, e não vítima de um acidente automobilístico, como sustentaram investigações oficiais ao longo das últimas décadas.

O documento, elaborado pela historiadora Maria Cecília Adão, relatora do caso na comissão, possui mais de 5 mil páginas e reavalia as circunstâncias da morte de JK, ocorrida em 22 de agosto de 1976, na Via Dutra, entre Rio de Janeiro e São Paulo. Na ocasião, o carro em que o ex-presidente estava colidiu com uma carreta após atravessar a pista contrária da rodovia. JK e o motorista Geraldo Ribeiro morreram no local.

Segundo o parecer, há indícios de que uma ação externa teria provocado a saída do veículo da pista, descartando a tese de acidente defendida oficialmente durante o regime militar. O relatório também questiona versões anteriores que apontavam que o automóvel teria sido atingido por um ônibus antes da colisão fatal.

A nova conclusão contraria o entendimento apresentado pela Comissão Nacional da Verdade em 2014, quando o órgão concluiu que não havia provas suficientes para afirmar que JK foi vítima de atentado político. Apesar disso, familiares, pesquisadores e setores ligados aos direitos humanos continuaram defendendo a reabertura do caso.

De acordo com informações divulgadas pela imprensa, o relatório também recomenda a retificação da certidão de óbito de JK e de Geraldo Ribeiro, para que as mortes sejam reconhecidas oficialmente como resultado de perseguição política do Estado brasileiro durante a ditadura.

O documento ainda está em análise pela comissão e deverá ser votado nas próximas semanas. Caso seja aprovado, a decisão pode representar uma reviravolta histórica em um dos episódios mais controversos do período militar brasileiro.