Cúpula do Mercosul termina sem assinatura do acordo de livre comércio com a UE

Resistências da França e Itália e medidas protecionistas do lado europeu, adiaram a formalização do tratado

Por: Lucas Gravatá

Foto: Evaristo SA/AFP

A Cúpula de Chefes de Estados do Mercosul, realizada em Foz do Iguaçu (PR) neste sábado (20), terminou sem assinatura do acordo de livre comércio com a União Europeia. A expectativa do Brasil era que o tratado entre os dois blocos fosse assinado neste final de semana, mas as resistências criadas pela França e Itália, adiaram a formalização

No seu discurso de abertura, o presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) criticou a indefinição da UE para a conclusão do acordo com o Mercosul, classificando que era o momento certo para defender o multilateralismo.

“Chegamos a um entendimento vantajoso para os dois lados. Tínhamos, em nossas mãos, a oportunidade de transmitir ao mundo mensagem importante em defesa do multilateralismo e de fortalecer nossa posição estratégica em um cenário global cada vez mais competitivo. Mas, infelizmente, a Europa ainda não se decidiu”, disse o presidente.

As tratativas do acordo Mercosul e União Europeia se arrastam há 26 anos. França é o país que mais resiste a assinatura do tratado, por entender que há desvantagens para os seus agricultores. A Europa havia cobrado do governo brasileiro medidas mais concretas para a proteção ambiental da floresta amazônica, mas divergências políticas e comercias suspenderam as negociações desde 2019.

Nos últimos dias, o Brasil vem pressionando pela assinatura do tratado. O presidente Lula chegou a afirmar que, caso não fosse assinado neste momento, “o Brasil não fará mais acordo enquanto eu for presidente. Se disserem não, nós vamos ser duros daqui para frente com eles”, disse.

A UE sinalizou ao governo brasileiro de assinar o acordo em janeiro, após superar os impasses com a Itália e a França. Recentemente, o bloco adicionou salvaguardas protecionistas, estabelecendo um limite de 5% de importação aos produtos do Mercosul.

“Aceitamos a adoção de cotas a produtos agropecuários e o estabelecimento de um mecanismo de salvaguardas, resguardando nosso direito de reciprocidade,” afirmou Lula.

Mercosul e UE

O Mercosul é formado por 4 países: Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia e Estados associados. A união Europeia possui 27 membros. Juntos, os blocos representam um mercado de cerca de 780 milhões de consumidores e um fluxo comercial bilionário.

O acordo cria uma zona de livre comércio entre os dois blocos econômicos, com redução gradual de barreiras comerciais e tarifas a diversos produtos.

Do lado europeu, o acordo abre espaço para ampliar exportações de produtos industriais, como automóveis, máquinas, equipamentos, medicamentos, entre outros. Para o Mercosul, o principal ganho está nas exportações facilitadas de produtos agropecuários, como carne, soja, açúcar, etanol e suco de laranja.