Por: Redação Alvoroço

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, defendeu nesta terça-feira (22) o envio de um maior número de observadores internacionais para acompanhar as eleições de outubro no Brasil. A declaração foi feita durante o evento Debatendo o Brasil, realizado em Brasília, com a presença de representantes diplomáticos de 42 países.
Durante o discurso, o parlamentar afirmou que o acompanhamento internacional contribuiria para fortalecer a transparência do processo eleitoral.
“O pedido que eu faço a todos aqui, não estou questionando o sistema de votação brasileiro, mas que todos os países possam mandar a maior quantidade de observadores possíveis para nossas eleições, como sempre fazem, e também pessoas que tenham conhecimento sobre essa tecnologia e como o Brasil pode dar eleições mais seguras e transparentes”, declarou.
Na mesma fala, Flávio voltou a associar as urnas eletrônicas brasileiras à empresa venezuelana Smartmatic, alegação que já foi desmentida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Ao comentar documentos divulgados pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, relacionados ao processo eleitoral da Venezuela, o senador afirmou que a Smartmatic estaria sob suspeita de manipulação de eleições e acrescentou que “muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa venezuelana”.
O TSE, no entanto, afirma que a informação é falsa. Segundo a Corte, a Smartmatic nunca forneceu urnas eletrônicas utilizadas nas eleições brasileiras. O tribunal informa que os equipamentos são desenvolvidos por técnicos da Justiça Eleitoral e fabricados por empresas contratadas por meio de licitação pública, sem vínculo com a tecnologia da empresa venezuelana.
O tribunal também esclarece que a Smartmatic já prestou serviços de conexão de dados e voz para a Justiça Eleitoral, mas nunca participou do desenvolvimento, programação ou operação das urnas. A empresa chegou a disputar uma licitação para fabricar equipamentos destinados às eleições de 2020, porém não venceu o certame.
Flávio cita situação de Jair Bolsonaro
Durante o encontro, o senador também comentou a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em um primeiro momento, ao falar em inglês, afirmou que o pai estaria preso em razão da reunião realizada com embaixadores em 2022. Em seguida, corrigiu a declaração e disse que Bolsonaro está inelegível em decorrência daquele episódio.
Segundo Flávio, o ex-presidente apenas apresentou aos representantes estrangeiros preocupações relacionadas à segurança e à transparência do sistema eleitoral.
A reunião mencionada ocorreu em julho de 2022, no Palácio da Alvorada, quando Jair Bolsonaro fez acusações sem apresentar provas sobre o sistema eletrônico de votação. Posteriormente, o Tribunal Superior Eleitoral concluiu que houve abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, condenando o ex-presidente à inelegibilidade por oito anos.
Assessoria divulga nota
Após a repercussão das declarações, a assessoria de Flávio Bolsonaro divulgou uma nota afirmando que o senador não colocou em dúvida a confiabilidade das eleições brasileiras.
“O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, não coloca em dúvida o processo eleitoral brasileiro. O convite para a presença de observadores internacionais segue uma prática adotada em diversas democracias e reforça a transparência no sistema eleitoral”, informou o comunicado.
Jair Bolsonaro cumpre atualmente prisão domiciliar humanitária após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano ao patrimônio público e deterioração de patrimônio tombado. A pena fixada foi de 27 anos e três meses de prisão.