“Golpe do doce” viraliza após consumidores relatarem cobranças de até R$ 330 na Expocrato

Por: Lucas Gravatá

 Foto: Reprodução/Instagram

A venda de doces durante a Exposição Agropecuária do Crato (Expocrato), no Ceará, ganhou grande repercussão nas redes sociais após consumidores relatarem cobranças consideradas excessivas. Os casos, que ficaram conhecidos na internet como o suposto “golpe do doce”, envolvem compras que chegaram a ultrapassar os R$ 300 após a pesagem dos produtos.

Um dos relatos de maior repercussão é o da pernambucana Priscila Justino, de 34 anos. Moradora de Granito, no Sertão de Pernambuco, ela contou que viajou cerca de 125 quilômetros até o Crato para visitar a feira e acabou passando por uma situação que classificou como constrangedora durante a compra em uma barraca de doces.

Segundo Priscila, uma placa informava que o valor era de R$ 19,90 a cada 100 gramas. Ao escolher um dos produtos, ela pediu ao atendente que cortasse uma fatia com aproximadamente “dois dedos” de espessura.

“Eu pedi para ele cortar ‘dois dedos’. Em cima, ele cortou da espessura de ‘dois dedos’. Mas aprofundou a espátula. Eu comecei a ficar indignada e disse: ‘moço, saiu muito'”, relatou.

Ela escolheu pedaços de doces de maracujá, abacaxi e quebra-queixo. No caixa, porém, foi surpreendida com uma cobrança superior a R$ 330. A consumidora afirma que tentou desistir da compra, mas diz ter sido impedida por outro funcionário da barraca.

“Ele começou a gritar: ‘A senhora vai levar, sim. Partiu, tem de levar. É self-service'”, contou.

Constrangida pela situação e pela fila de clientes que aguardava atendimento, Priscila decidiu efetuar o pagamento.

“Eu paguei por vergonha. Só depois percebi que tinha sido lesada. Não é nem pelo dinheiro, mas pelo constrangimento”, afirmou.

Antes mesmo desse episódio, outros vídeos já circulavam nas redes sociais mostrando situações semelhantes. Um dos casos mais compartilhados foi publicado pela influenciadora Samiryan Meneses, que relatou ter experimentado doces oferecidos gratuitamente e, ao escolher apenas três pedaços, recebeu uma cobrança próxima de R$ 300, apesar de a placa indicar o valor de R$ 19,90 por 100 gramas.

De acordo com os relatos publicados pelos consumidores, o procedimento seria semelhante em diferentes casos: o estabelecimento informa apenas o preço por 100 gramas, o cliente indica o tamanho da fatia desejada, o doce é cortado e somente após a pesagem o valor total é informado. Alguns consumidores afirmam que, ao tentarem desistir da compra, foram pressionados a concluir a aquisição.

Assista ao vídeo:

Empresa nega irregularidades

Em vídeo divulgado nas redes sociais, o proprietário da Doceria Deleites, identificado como Fausto, negou qualquer prática irregular.

Segundo ele, os clientes são informados de que o valor corresponde a R$ 19,90 por 100 gramas — equivalente a R$ 199 por quilo — e escolhem livremente o tamanho da porção.

O empresário afirmou ainda que, após o corte, os doces não podem ser recolocados à venda nem reaproveitados para degustação por determinação da Vigilância Sanitária. Por isso, segundo ele, a empresa solicita que o consumidor confirme a compra após o produto ser cortado.

Fausto também informou que diversos pedaços precisaram ser descartados em razão da desistência de clientes.

Ministério Público fiscaliza barraca

Após a repercussão dos vídeos, o Programa Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Decon), vinculado ao Ministério Público do Ceará, realizou uma fiscalização no estande da Doceria Deleites.

Segundo o órgão, foram identificadas possíveis irregularidades na forma como os preços eram apresentados aos consumidores.

De acordo com o Ministério Público, os produtos não apresentavam indicação clara do peso ou do tamanho aproximado das porções, dificultando que os clientes soubessem previamente quanto pagariam pela compra.

O promotor de Justiça Thiago Marques explicou que, em vendas realizadas por peso, o consumidor deve ter condições de estimar o volume correspondente ao valor anunciado. Ele também destacou que, em compras presenciais, o cliente não é obrigado a concluir a aquisição caso identifique dúvidas ou inconsistências em relação ao preço final do produto.