Lula afirma que conversou com filho citado na CPMI do INSS e defende que eventuais envolvimentos sejam investigados

O nome de Lulinha começou a ser citado nos desdobramentos da investigação após relatos de que ele teria mantido relações com figuras envolvidas nas fraudes no INSS

Por: Lucas Gravatá

Foto: © Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) falou nesta quinta-feira (5) sobre a menção ao nome de seu filho Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, no contexto das investigações sobre fraudes e descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que estão sendo apuradas pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS no Congresso Nacional. A declaração foi dada em entrevista ao portal UOL e amplamente divulgada pela imprensa de credibilidade.

Segundo Lula, após o nome de Lulinha ter surgido em reportagens e citações relacionadas à investigação, ele chamou o filho para uma conversa no Palácio do Planalto. “Olhei no olho dele e falei: ‘Só você sabe a verdade. Se você tiver alguma coisa, você vai pagar o preço. Se não tiver, se defenda’”, relatou o presidente, enfatizando que a lei deve valer para “todas as pessoas” sem interferências políticas, inclusive para seus próprios familiares.

O presidente também reiterou que o governo não pretende proteger ninguém e que há compromisso com a seriedade das apurações conduzidas pela Polícia Federal (PF) e pelo colegiado parlamentar. “Todas as pessoas que tiverem envolvidas (…) vão ser investigadas”, afirmou Lula em declarações anteriores, destacando que a investigação deve ser conduzida com rigor.

O nome de Lulinha começou a ser citado nos desdobramentos da investigação após relatos de que ele teria mantido relações com figuras envolvidas nas fraudes no INSS, incluindo o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e pessoas próximas a ele, como a empresária Roberta Luchsinger. Contudo, até o momento não há confirmação formal de investigação nem provas documentais conclusivas de que o filho do presidente seja alvo direto da PF no caso.

Na CPMI do INSS, parlamentares chegaram a debater a possibilidade de convocar Lulinha para prestar esclarecimentos, mas em dezembro de 2025 o requerimento para sua oitiva foi rejeitado por 19 votos a 12. O processo de apuração prossegue no colegiado, que busca esclarecer como o esquema de descontos indevidos foi operado e quem pode ter sido beneficiado ou envolvido nas irregularidades.

A fala de Lula busca mostrar que não haverá tratamento diferenciado ou blindagem e que, caso surjam elementos que indiquem responsabilidade, estes deverão ser apurados pelas autoridades competentes.