Mendonça cita monitoramento ilegal e determina afastamento de Andrei Rodrigues da direção da PF

Decisão do ministro do STF atinge também o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa

Por: Redação Alvoroço

Fotos: Gustavo Moreno/STF | Tom Costa/MJSP

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em meio à crise entre instituições. A decisão também determina o afastamento do diretor de Inteligência Policial da PF, Leandro Almada da Costa.

A medida foi tomada após pedidos apresentados pelo partido Novo para que Andrei Rodrigues fosse afastado e preso.

Segundo o ministro André Mendonça, o afastamento de integrantes da cúpula da Polícia Federal foi determinado para garantir que ministros da Corte, o advogado-geral da União, Jorge Messias, e servidores da PF possam desempenhar suas funções sem interferências consideradas ilegais.

Na decisão, Mendonça afirmou que a medida busca permitir que os envolvidos “exerçam suas atribuições sem constrangimentos ilegais”.

O ministro também determinou a suspensão de qualquer produção ou compartilhamento de relatórios de inteligência destinados a analisar a atuação funcional de magistrados, integrantes da advocacia pública ou o trabalho de polícia judiciária.

A decisão ocorre no contexto de uma investigação que envolve informações extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e registros de contatos com o ministro Alexandre de Moraes.

Relatórios de inteligência

De acordo com a decisão, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, encaminhou ao ministro Alexandre de Moraes, dentro do Inquérito das Fake News, pelo menos seis “relatórios de inteligência” produzidos de maneira sigilosa.

Os documentos teriam sido elaborados entre 3 e 31 de agosto de 2026.

A decisão de Mendonça também aponta que o próprio ministro teria sido alvo de monitoramento considerado ilegal por integrantes da área de inteligência policial.

Segundo a peça, o acompanhamento teria ocorrido por um período superior a 30 dias.

Entenda a investigação

Em 1º de setembro, André Mendonça retirou o sigilo de documentos que integram a investigação sobre a relação entre Moraes e Vorcaro. O material reúne registros de mensagens, encontros e negociações envolvendo o banqueiro e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.

Um dos documentos é uma Informação de Polícia Judiciária de Análise (IPJ-A) elaborada pela Polícia Federal a partir de dados obtidos no celular de Vorcaro, apreendido durante uma operação.

O relatório foi encaminhado a Mendonça em 27 de agosto e analisa, entre outros elementos, os contatos do banqueiro com pessoas que, segundo a investigação, estariam ligadas a uma suposta rede de influência.

De acordo com a PF, o aparelho de Vorcaro apresentava quatro registros diferentes para o mesmo número de telefone: “Alexandre de Moraes BRASILIA”, “Novo”, “STF TSE NOVO” e “Eu STF”. Segundo os investigadores, o número havia sido compartilhado com o banqueiro por Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações, em 26 de dezembro de 2023.

A análise também identificou mensagens encaminhadas por Vorcaro ao contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”.

Segundo o relatório, o banqueiro redigia textos no aplicativo de notas do celular, fazia uma captura de tela e, posteriormente, enviava a imagem pelo WhatsApp.

A Polícia Federal comparou os horários registrados no aparelho e verificou que, em alguns episódios, o envio da mensagem ocorria poucos segundos depois da captura de tela. O número relacionado ao contato também foi confirmado a partir dos dados extraídos do celular.