Iniciativa da PM em parceria com Secretaria de Justiça e Direitos Humanos atuou em cinco municípios
Por Paola Pedro

Garantir que as festas populares sejam espaços acessíveis e acolhedores para todos é o principal objetivo da Patrulha Inclusiva, iniciativa da Polícia Militar da Bahia (PM-BA), em parceria com a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos do Estado (SJDH), que está atuando durante o São João 2026 em cinco municípios baianos.
O serviço integra as ações do Plantão Integrado de Direitos Humanos, presente este ano em Camaçari, Cachoeira, Castro Alves, Amargosa e Santo Antônio de Jesus, oferecendo deslocamento assistido para pessoas com deficiência (PcD) nos circuitos juninos.
Mais do que facilitar a mobilidade, a iniciativa busca assegurar a participação plena dessa população nos festejos, promovendo autonomia, segurança e inclusão social.
Segundo o superintendente dos Direitos da Pessoa com Deficiência da Bahia, Marcelo Zig, a Patrulha Inclusiva é inspirada pelo trabalho contínuo desenvolvido pela Secretaria de Justiça e Direitos Humanos nas grandes festas populares do estado.
“O Plantão Integrado dos Direitos Humanos consiste numa articulação entre secretarias e órgãos públicos para garantir a presença dessas instituições nas festas populares e promover os direitos humanos. O objetivo é prevenir violações de direitos, acolher vítimas e assegurar a participação efetiva de grupos específicos, como pessoas com deficiência, idosos, crianças, adolescentes, população LGBT e trabalhadores em situação de vulnerabilidade”, explica.
Para viabilizar esse trabalho, a SJDH promove capacitações junto às forças de segurança pública, em parceria com a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), fortalecendo o atendimento humanizado e inclusivo nos eventos.
A Patrulha Inclusiva foi implantada pela primeira vez durante o Carnaval de Salvador de 2026, quando passou a oferecer apoio no deslocamento de foliões com deficiência dentro dos circuitos oficiais da capital. O retorno positivo dos usuários motivou a expansão do serviço para os festejos juninos no interior.
“A primeira atuação da Patrulha Inclusiva foi no Carnaval de Salvador. Diante do sucesso e da resposta positiva que a comunidade de pessoas com deficiência nos deu, entendemos que era importante ampliar o escopo e o raio de ação da iniciativa e atuar também nas festas juninas no interior do estado”, destacou o superintendente.
Em entrevista ao Portal Alvoroço, o superintendente destacou que o serviço tem se mostrado essencial, sobretudo diante das características das festas juninas realizadas no interior do estado.
“Mais uma vez, o sucesso da Patrulha Inclusiva se evidenciou através dos feedbacks que recebemos da população com deficiência. As festas de São João no interior são bastante populosas e o deslocamento, muitas vezes, é dificultado pela aglomeração. A Patrulha Inclusiva entra justamente para garantir autonomia e segurança, permitindo que a pessoa com deficiência circule pelos espaços da festa de acordo com suas necessidades e desejos”, afirmou.
Para Marcelo Zig, a avaliação da iniciativa é extremamente positiva e demonstra que o serviço veio suprir uma demanda histórica: “A adesão da população de pessoas com deficiência, ainda no Carnaval de Salvador, já demonstrou que a Patrulha Inclusiva veio suprir uma demanda reprimida. Muitas pessoas deixam de participar das festas populares porque não encontram um atendimento que acolha suas necessidades específicas de deslocamento, permanência e participação em ambientes com grande concentração de pessoas”, ressaltou.
Diante dos resultados alcançados, a expectativa é que a iniciativa seja ampliada para outras celebrações realizadas no estado. “Certamente, a Patrulha Inclusiva já está em processo de ampliação para atender outras festas populares da Bahia. Essa é uma ação que veio para ficar”, enfatizou.
Paralelamente ao serviço, a Superintendência dos Direitos da Pessoa com Deficiência mantém um processo permanente de formação junto à Polícia Militar, promovendo ações de letramento anticapacitista e qualificação dos agentes de segurança.
“A ideia é que a Patrulha Inclusiva não fique restrita aos momentos celebrativos. Queremos que essa perspectiva faça parte do cotidiano das pessoas com deficiência no estado da Bahia, contribuindo para que a força de segurança esteja preparada para reconhecer as especificidades e garantir um atendimento mais humanizado”, explicou o gestor.
Segundo ele, a proposta é que o efetivo policial esteja apto a compreender e atender adequadamente a diversidade existente entre as pessoas com deficiência: “É fundamental que os profissionais saibam lidar com uma pessoa surda, com uma pessoa cega, com uma pessoa amputada ou com uma pessoa autista. Isso permite prevenir intercorrências, oferecer um atendimento adequado e, sobretudo, garantir o exercício pleno da cidadania dessa população”, conclui Marcelo Zig.
A ação é desenvolvida em articulação entre órgãos do Governo do Estado, prefeituras municipais, sistema de justiça e sociedade civil organizada, fortalecendo uma rede integrada de proteção e contribuindo para a promoção de uma cultura de acessibilidade e enfrentamento ao capacitismo nos espaços festivos.