PF troca delegado que comandava investigação do INSS e apuração sobre filho de Lula

Mudança ocorreu após avanço do caso no STF; ministro André Mendonça pediu esclarecimentos à Polícia Federal

Por: Redação Alvoroço

Foto: Paulo Giandalia/Estadão Conteúdo

A Polícia Federal substituiu o delegado responsável por coordenar o inquérito que investiga desvios bilionários no Instituto Nacional do Seguro Social e que também levou à abertura de apurações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.

O delegado Guilherme Figueiredo Silva chefiava a Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários da PF e conduzia as investigações desde que o caso foi enviado ao Supremo Tribunal Federal. Ele também assinou pedidos importantes da investigação, entre eles a prisão do empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como um dos principais suspeitos de liderar o esquema de fraudes em aposentadorias.

A mudança levou o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, a se reunir nesta sexta-feira (15) com integrantes da PF para solicitar esclarecimentos sobre a troca no comando das investigações.

Segundo informações divulgadas pela imprensa, Guilherme deixou o caso no início do mês e redistribuiu os inquéritos para outros delegados. Ele também não participou da rodada mais recente de depoimentos realizados com investigados.

A condução da apuração vinha sendo questionada pela defesa de Lulinha, que alegava não haver elementos suficientes para justificar medidas investigativas contra o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Entre as medidas adotadas pela PF está o pedido de quebra de sigilo bancário de Lulinha, autorizado por André Mendonça. Os investigadores também produziram relatórios sobre movimentações financeiras consideradas suspeitas envolvendo a empresária Roberta Luchsinger, amiga do filho do presidente. As defesas negam qualquer irregularidade.

Negociação sobre cannabis medicinal

O nome de Lulinha surgiu nas investigações após o depoimento de um ex-funcionário do “Careca do INSS”, que afirmou ter ouvido relatos sobre pagamentos mensais feitos pelo empresário ao filho do presidente.

Durante a apuração, a PF identificou que Antônio Camilo Antunes firmou um contrato com Roberta Luchsinger e realizou pagamentos de cerca de R$ 1,5 milhão à empresária.

Com base nessas informações, a Polícia Federal enviou uma petição ao STF relatando suspeitas de que Lulinha poderia atuar como sócio oculto do empresário e informou ter encontrado referências frequentes ao nome dele nas investigações.

Posteriormente, a defesa de Lulinha confirmou ao STF que ele realizou uma viagem a Portugal com despesas pagas pelo empresário investigado. Segundo os advogados, a viagem teve como objetivo avaliar oportunidades no setor de cannabis medicinal.

A defesa afirmou, porém, que o negócio “não foi adiante” e sustentou que não houve assinatura de contratos nem recebimento de recursos por parte de Lulinha.