Preço da gasolina sobe 37% nas bombas apesar da redução de 16% nas refinarias

Por: Redação Alvoroço

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O preço médio da gasolina no Brasil tem seguido trajetória de alta nas bombas, mesmo com reduções anunciadas pela Petrobras nas refinarias, segundo dados recentes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Essa divergência entre os valores ao produtor e ao consumidor tem chamado atenção de analistas e motoristas em todo o país.

Desde dezembro de 2022, o preço da gasolina A — aquele vendido pela Petrobras às distribuidoras — caiu aproximadamente 16,4%, passando de cerca de R$ 3,08 para R$ 2,57 por litro, após uma série de reajustes com predominância de cortes. No mesmo período, no entanto, o preço médio da gasolina vendida nos postos de combustíveis subiu cerca de 37,1%, passando de R$ 4,98 para R$ 6,33 por litro, de acordo com levantamento da ANP.

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Esse fenômeno se dá porque o valor que chega ao consumidor final é formado por diversos componentes além do preço na refinaria, e não apenas por ele, apontam especialistas.

Como se forma o preço da gasolina
A composição do preço inclui parcelas que vão muito além do custo de produção do combustível:

  • Parcela da Petrobras nas refinarias: representa menos de um terço do valor final, cerca de 28,4% a 32%, dependendo do momento de cálculo.
  • Mistura obrigatória com etanol anidro: em torno de 27% da composição da gasolina vendida nas bombas, o que significa que variações no preço do etanol também influenciam diretamente o preço final.
  • Impostos federais e estaduais: tributos como PIS/Cofins e ICMS representam uma fatia significativa do preço, com o ICMS estadual chegando a quase 25% e os tributos federais cerca de 10,7%.
  • Margens de distribuição e revenda: custos de logística, transporte, armazenamento, além das margens de lucro de distribuidores e donos de postos, representam cerca de 19,6% do preço final.

Essa multiplicidade de fatores faz com que reduções de preço nas refinarias muitas vezes não cheguem integralmente ao consumidor. Em vários momentos, após anúncios de queda no valor da gasolina A, os preços médios nas bombas continuaram a subir ou se mantiveram elevados, reflexo das diferentes etapas e custos encadeados na cadeia de combustíveis.

Tributação e dinâmica regional

Especialistas também apontam que regras de tributação, especialmente o ICMS cobrado por litro (ad rem), podem neutralizar as reduções da Petrobras quando aumentados pelos estados ou quando a composição do combustível sofre influência do etanol e de outros fatores de mercado local.

A ANP monitora semanalmente o comportamento dos preços, fornecendo parâmetros que mostram que, apesar de cortes pontuais no preço de saída de refinaria, o custo para encher um tanque de combustível segue elevado para os motoristas brasileiros, pressionado por impostos, margens de revenda e oscilações no mercado de biocombustíveis e logística.

Esse cenário explica por que, mesmo com a redução de preços pela Petrobras, a média da gasolina nas bombas continua em patamares altos e em muitos casos acima de R$ 6 por litro em todo o país.