A Itália, que já colocou dificuldades para assinar o tratado, já dá sinais que pode apoiar o acordo entre os blocos
Por: Lucas Gravatá

O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou, nesta quinta-feira (8), que a França votará contra a assinatura do acordo de livre comércio do Mercosul e União Europeia. A decisão será levada à reunião dos embaixadores da Comissão Europeia, marcada para esta sexta-feira (9).
O posicionamento de Macron reforça a resistência francesa ao acordo. Irlanda, Hungria e Polônia, formam o muro de resistência no bloco europeu.
A Itália, que já colocou dificuldades para assinar o tratado, já dá sinais que pode apoiar o acordo entre os blocos, após o bloco europeu garantir um incentivo bilionário ao longo dos anos ao setor agrícola do país. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, avaliou a iniciativa como “um passo significativo”.
Até o momento da publicação dessa matéria, o Itamaraty não comentou a declaração do presidente francês.
Por outro lado, Espanha e Alemanha reforçam a necessidade de assinatura do tratado diante da dependência do bloco em relação à China e os efeitos das tarifas impostas por Donald Trump.
Para o chanceler alemão, Friedrich Merz, e o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, o tratado deve diversificar o comércio da União Europeia, ao abrir sua economia para novos mercados e ampliar a busca por minerais estratégicos.
Para que o acordo Mercosul e União Europeia seja aprovado, é necessário reunir o mínimo de 15 Estados-membros que representem ao menos 65% da população do bloco europeu. Com a sinalização positiva da Itália, esse limite mínimo é alcançado.
Pressão do Brasil
Desde dezembro, o Brasil tem pressionando a União Europeia pela assinatura do tratado. O presidente Lula chegou a afirmar que, caso não fosse assinado neste momento, “o Brasil não fará mais acordo enquanto eu for presidente. Se disserem não, nós vamos ser duros daqui para frente com eles”, disse.
A UE sinalizou ao governo brasileiro de assinar o acordo em janeiro, após superar os impasses com a Itália e a França. Recentemente, o bloco adicionou salvaguardas protecionistas, estabelecendo um limite de 5% no volume de produtos importados do Mercosul.
“Aceitamos a adoção de cotas a produtos agropecuários e o estabelecimento de um mecanismo de salvaguardas, resguardando nosso direito de reciprocidade,” afirmou Lula durante o encontro da Cúpula de Chefes de Estados do Mercosul.
Mercosul e UE
O Mercosul é formado por 4 países: Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia e Estados associados. A união Europeia possui 27 membros. Juntos, os blocos representam um mercado de cerca de 780 milhões de consumidores e um fluxo comercial bilionário.
O acordo cria uma zona de livre comércio entre os dois blocos econômicos, com redução gradual de barreiras comerciais e tarifas a diversos produtos.
Do lado europeu, o acordo abre espaço para ampliar exportações de produtos industriais, como automóveis, máquinas, equipamentos, medicamentos, entre outros. Para o Mercosul, o principal ganho está nas exportações facilitadas de produtos agropecuários, como carne, soja, açúcar, etanol e suco de laranja.