“A Casa de Mainha” foi o único projeto brasileiro a participar do concurso com outros 100 países
Por: Redação Alvoroço

Uma casa com cara de casa, com tijolos expostos, luz natural, materiais de baixo custo e uma arquitetura distante dos projetos de condomínios de luxo como Alphaville, são alguns detalhes de uma residência autêntica que definem o projeto “Casa de Mainha”, vencedor do prêmio “Obra do Ano” na maior premiação mundial de arquitetura urbana, o ArchDaily Building of the Year Awards 2026.
O prêmio foi anunciado na última quinta-feira (19). A casa está localizada em Feira Nova, cidade de 20 mil habitantes no interior de Pernambuco. O projeto é assinado pelo arquiteto Zé Vagner, que morou na casa construída há mais de 40 anos.
Construída pelos familiares na década 80, a ideia era reformar a casa de sua mãe, Dona Marinalva, de 59 anos, excluindo cômodos e espaços poucos funcionais, aplicando técnicas naturais no estilo adobe (tijolos de terra crua) que garantem um conforto térmico, adaptando a residência às altas temperaturas do Agreste pernambucano.
“Como muita casa do interior, ela foi crescendo sem projeto, sem planejamento. Só que o tempo cobra: os cômodos ficaram apertados, o calor virou rotina, a casa começou a pesar, insalubre sem saúde”, comenta Zé Vagner em uma das publicações no Instagram.

O arquiteto conta em suas redes sociais que a casa precisava de ventilação, iluminação e saúde. Pensando nisso e preservando a memória, foi necessário demolir cinco ambientes para dar lugar a uma sala ampla e integrada aos demais cômodos. O projeto também conta com um jardim interno e um terraço.
O pé direito, que antes era de 2,40 metros de altura, agora é 4,40 metros, permitiu a instalação de um cobogó (blocos vazados), facilitando a troca de ar constante e iluminação natural no ambiente interno, criando um efeito de luz e sombra na parede, se assemelhando a uma obra de arte.
Para preservar a privacidade de sua mãe, Zé Vagner optou por deixar o muro da fachada maior, aplicando blocos vazados para entrada de ventilação. Cerâmicas típicas da região, ladrilhos e pinturas de cores quentes, estão entre os detalhes que rementem ao conforto e aconchego da casa de mãe.
“A Casa de Mainha” foi o único projeto brasileiro a participar do concurso com outros 100 países. Nas redes sociais, Zé Vagner se apresenta como o arquiteto que cria casas, que respeita as pessoas e o lugar.











O projeto utiliza mão de obra local, demonstrando que é possível usar a criatividade ao colocar em prática recursos e soluções inteligentes adaptadas, gerando alto impacto com a utilização de materiais naturais, levando identidade ao usuário.