Aluno de 15 anos denuncia intolerância religiosa no Colégio Estadual Presidente Costa e Silva
Por: Redação Alvoroço

Um estudante de 15 anos denunciou ter sido vítima de intolerância religiosa dentro do Colégio Estadual Presidente Costa e Silva, localizado no bairro da Ribeira, em Salvador. O caso foi registrado na Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa nesta segunda-feira (27) pela mãe do adolescente, a enfermeira Landra Grasiele Silva Saldanha.
Segundo o relato enviado ao Alvoroço com exclusividade, o estudante disse que logo após entrar na sala de aula, “o professor de filosofia começou a debochar da minha cara”.
No primeiro momento, a vítima achou que poderia ser uma brincadeira, no entanto, “ele começou a mudar o tom [de voz] dele. Queria que eu tirasse o chapéu”, relata o estudante em em mensagens enviadas à mãe por meio de um aplicativo e obtidas pelo Alvoroço.
O docente teria contestado o uso de um boné pelo aluno, mesmo após ele informar que utilizava o item por motivos religiosos e que possuía autorização da instituição.
O uso do boné branco (ou qualquer cobertura branca na cabeça) após a iniciação em religiões de matriz africana “tem um fundamento espiritual, simbólico e também de proteção”, diz a mãe da vítima ao afirmar que o adereço usado pelo seu filho é um boné branco simples.
Segundo consta no boletim de ocorrência, o professor teria dito: “Você não pode usar o boné porque não se encaixa no ritual”, além de fazer comentários considerados provocativos diante de outros alunos. Após o episódio, o estudante foi encaminhado à diretoria e, mesmo após a situação, o professor teria continuado com as falas.
O documento também aponta que, ao sair da sala, o aluno foi informado por colegas de que o professor teria dito: “Tomara que você não volte novamente para a sala”. A situação levou o adolescente a apresentar crise de ansiedade, sentindo-se constrangido diante da turma.
Landra afirma que é a primeira vez que seu filho sofre intolerância religiosa na instituição de ensino e que, desde o processo de matrícula, no início deste ano, deixou claro à direção sobre a prática religiosa do estudante, destacando que passou orientações ao colégio de que algumas regras não poderiam ser quebradas, assim como alguns “acessórios que ele ia utilizar por conta da religião”.
A mãe afirma ainda que a vice-direção do colégio realizou uma ata dos fatos ocorridos e registrou a denúncia. Também relata que será solicitado ao professor a retratação na frente dos alunos.
A ocorrência foi registrada como prática de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional, com base na Lei nº 7.716/1989. O caso foi encaminhado à Delegacia Especializada de Repressão a Crimes contra a Criança e o Adolescente, por envolver um menor de idade.
A Secretaria de Educação da Bahia (SEC-BA) foi procurada pela reportagem, mas até o momento não houve retorno. O espaço segue aberto para posicionamento oficial e atualização da matéria sobre o caso.