Laudo da PF afirma que Bolsonaro pode permanecer na “Papudinha” mesmo com comorbidades

O laudo pericial aponta que Bolsonaro apresenta sete comorbidades crônicas. Conforme o texto, tais condições não justificam, no momento, a transferência para cuidados hospitalares

Por: Lucas Gravatá

Foto: Miguel Schincariol/AFP

Um relatório médico da Polícia Federal (PF) divulgado nesta sexta-feira (6) concluiu que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem condições clínicas de permanecer encarcerado na Penitenciária da Papuda, na unidade conhecida como “Papudinha”, sem necessidade imediata de transferência para um hospital ou de prisão domiciliar. A avaliação foi solicitada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no contexto dos pedidos da defesa por flexibilização do regime de custódia do ex-mandatário.

O laudo pericial, assinado por três médicos da PF após avaliação física e análise de exames laboratoriais e de imagem, aponta que Bolsonaro apresenta sete comorbidades crônicas, como hipertensão arterial, apneia obstrutiva do sono, obesidade clínica e aterosclerose, mas todas sob controle clínico e passíveis de acompanhamento no ambiente prisional. Conforme o texto, tais condições não justificam, no momento, a transferência para cuidados hospitalares.

Apesar de descartar a necessidade de hospitalização, os peritos destacam que é preciso intensificar o atendimento preventivo e monitorar de perto a saúde do ex-presidente, sobretudo por causa do risco de complicações cardiovasculares e neurológicas. Além de manter controle rigoroso da pressão arterial e hidratação, o relatório recomenda a realização de exames neurológicos complementares para investigar causas de quedas recentes sofridas por Bolsonaro.

O documento também sugere adaptações na cela, como instalação de grades de apoio em corredores e banheiros, campainhas de emergência e acompanhamento contínuo nas áreas comuns, além de atendimento nutricional, fisioterápico e incentivo à prática de atividades físicas, medidas que, segundo os médicos, podem ser implantadas no sistema prisional.

A perícia reforça que o encarceramento na Papudinha, onde Bolsonaro está desde 15 de janeiro cumprindo pena de 27 anos e três meses por envolvimento em tentativa de golpe de Estado, pode ser mantido desde que haja protocolos de prontidão para urgências e emergências no local.

O ministro Alexandre de Moraes determinou que tanto a defesa de Bolsonaro quanto a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestem sobre o laudo em até cinco dias, antes de decidir sobre os pedidos de prisão domiciliar por razões humanitárias.

A divulgação do relatório ocorre em meio a debates públicos sobre as condições de saúde e segurança de Bolsonaro na prisão, com críticas de aliados que consideram o laudo insuficiente para justificar tratamento diferenciado, enquanto grupos contrários à transferência argumentam que a permanência na Papudinha é adequada e corresponde às avaliações médicas oficiais.