A Anvisa destacou que os dados de notificações não significam confirmação de que todos os casos foram causados pelos produtos, já que muitas das ocorrências estão em investigação técnica
Por: Lucas Gravatá

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que foram notificados 225 casos suspeitos de pancreatite e seis mortes com possível relação ao uso de canetas emagrecedoras no Brasil desde 2018, conforme dados do sistema de farmacovigilância VigiMed. Os números, divulgados pela agência e repercutidos pela imprensa, refletem relatos recebidos tanto após a comercialização desses medicamentos quanto durante estudos clínicos no país.
Os episódios estão associados a medicamentos injetáveis que atuam como agonistas do receptor GLP-1, substâncias usadas no tratamento de obesidade e diabetes tipo 2, como semaglutida, liraglutida, tirzepatida, lixisenatida e dulaglutida — presentes em produtos populares no mercado brasileiro.
Segundo a Anvisa, os registros de pancreatite foram feitos em pacientes de diferentes estados, incluindo São Paulo, Paraná, Bahia e Distrito Federal, mas os detalhes sobre os locais das mortes ainda não foram divulgados.
O tema ganhou relevância internacional após alertas recentes de órgãos reguladores no Reino Unido, onde foram notificados casos graves de inflamação do pâncreas e dezenas de mortes em usuários desses medicamentos, intensificando a atenção das autoridades brasileiras.
A Anvisa destacou que os dados de notificações não significam confirmação de que todos os casos foram causados pelos produtos, já que muitas das ocorrências estão em investigação técnica. Além disso, há registros de uso de produtos irregulares, falsificados ou manipulados, o que representa uma preocupação adicional para as autoridades sanitárias.
Em resposta às evidências de riscos potenciais, a agência implementou desde abril de 2025 a exigência de retenção de receita médica para a dispensação dessas canetas emagrecedoras, com o objetivo de garantir que pacientes sejam avaliados por profissionais de saúde antes de iniciar o tratamento. A Anvisa afirma que essa medida tem se mostrado eficaz como forma de controle, mas que poderá adotar ações adicionais caso novos alertas surjam.
Diante do cenário, órgãos de saúde reforçam a necessidade de prescrição responsável e acompanhamento clínico rigoroso, especialmente em tratamentos prolongados, para reduzir a chance de complicações graves como a pancreatite.