O presidente cita que o assessor do presidente Trump só entrará no Brasil após os EUA devolverem o visto diplomático ao ministro da saúde, Alexandre Padilha.
Por: Lucas Gravatá

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu revogar o visto de entrada no Brasil para o assessor do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, Darren Beattie, que visitaria o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O anúncio foi feito pelo presidente durante uma agenda no Rio de Janeiro. Na ocasião, o presidente cita que o assessor do presidente Trump só entrará no Brasil após os EUA devolverem o visto diplomático ao ministro da saúde, Alexandre Padilha.
“Aquele cara americano que disse que vinha para cá para visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar e eu o proibir de vir ao Brasil enquanto não liberar os vistos do meu ministro da saúde que está bloqueado”, declarou Lula.
A medida foi interpretada por integrantes do governo brasileiro como uma reação política após sanções e restrições impostas anteriormente por Washington contra autoridades brasileiras ligadas ao governo e ao Judiciário.
Na quarta-feira (11), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, havia autorizado a visita de Darren Beattie ao ex-presidente, determinando a escolha entre duas datas.
Segundo o Itamaraty, o visto foi concedido para participação em um evento sobre minerais críticos e para reuniões oficiais com autoridades brasileiras, sem qualquer menção a encontro com Bolsonaro.
Na última quinta-feira (12), o ministro revogou sua decisão após o Itamaraty fazer alerta ao STF sobre a visita de um integrante do governo americano ao ex-presidente em ano eleitoral, que, na avaliação da diplomacia brasileira, poderia configurar ingerência em assuntos internos do país.
“A realização da visita de Darren Beattie, requerida neste autos pela Defesa de Jair Messias, não está inserida no contexto diplomático que autorizou a concessão do visto e seu ingresso no território brasileiro, além de não ter sido comunicada, previamente, às autoridades diplomáticas brasileiras, o que, inclusive poderia ensejar a reanálise do visto concedido”, cita Moraes.
A decisão ocorre em um contexto de atritos recentes entre Brasília e Washington, que envolveram a revogação de vistos de integrantes do governo brasileiro e até de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
As medidas adotadas pelos Estados Unidos foram justificadas pelo governo Trump como resposta a decisões judiciais no Brasil relacionadas a investigações contra aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, considerado pelo governo americano de perseguição política.