Apagão nacional agrava crise em Cuba e provoca nova onda de protestos

Colapso do sistema elétrico deixa milhões sem energia e expõe crise econômica e social na ilha

Por: Lucas Gravatá

Foto: Reuters/Norlys Perez/

Cuba voltou a enfrentar um apagão de grandes proporções nesta segunda-feira (16), após o colapso do sistema elétrico nacional, deixando cerca de 10 milhões de pessoas sem energia em diversas regiões da ilha.

Segundo autoridades do setor elétrico, a interrupção ocorreu após uma desconexão total da rede de transmissão, cuja causa ainda está sendo investigada. O episódio ocorre em meio a uma série de falhas no sistema energético do país, agravadas pela escassez de combustível e pela deterioração da infraestrutura elétrica.

A crise energética ocorre em um momento de forte tensão social. Nos últimos dias, moradores de várias cidades passaram a protestar contra os frequentes apagões, a falta de alimentos e o agravamento das condições de vida.

Em alguns casos, manifestantes bateram panelas nas ruas e organizaram protestos noturnos aproveitando a escuridão causada pelos cortes de energia. Em Havana e outras cidades, pequenos grupos também realizaram assembleias e manifestações contra a situação econômica do país.

Em Morón, no centro do país, um protesto inicialmente pacífico contra os cortes de energia terminou em confrontos e vandalismo contra um escritório do Partido Comunista local, o que levou à prisão de pelo menos cinco pessoas. O episódio foi descrito por analistas como uma rara explosão de revolta pública em um país onde manifestações contra o governo são incomuns e geralmente reprimidas rapidamente.

Autoridades cubanas atribuem parte da crise ao embargo econômico dos Estados Unidos e à escassez de combustível importado, especialmente após a interrupção de envios de petróleo de aliados estratégicos.

Especialistas apontam que a combinação de infraestrutura envelhecida, falta de investimentos e dificuldades para importar energia tem provocado apagões cada vez mais frequentes, intensificando a insatisfação popular e colocando o governo sob crescente pressão interna.