Por: Redação Alvoroço

O Banco Central do Brasil (BC) vem avançando na agenda de modernização do sistema financeiro e já sinaliza novos passos para ampliar o alcance do PIX, incluindo a possibilidade de operações internacionais e o lançamento de funcionalidades que expandem o uso da ferramenta no cotidiano dos brasileiros.
Criado em 2020, o PIX se consolidou como o principal meio de pagamento do país, com adesão massiva da população e bilhões de transações mensais. Diante desse cenário, o BC tem trabalhado para transformar o sistema em uma infraestrutura ainda mais ampla, capaz de atender novas demandas do mercado e integrar o Brasil ao ecossistema global de pagamentos digitais.
Entre os principais movimentos em estudo está a expansão do PIX para transações fora do país. A ideia é permitir que brasileiros utilizem o sistema em compras e transferências internacionais, com conversão automática de moeda e integração entre instituições financeiras de diferentes países.
Iniciativas recentes já apontam nessa direção. Em março de 2026, o uso do PIX foi viabilizado para pagamentos na Argentina, marcando um primeiro passo concreto rumo à internacionalização do sistema. A expectativa do mercado é que novas parcerias ampliem essa funcionalidade para outras regiões, especialmente onde há grande presença de brasileiros.
Além disso, empresas e especialistas do setor financeiro indicam que o avanço do Pix no exterior deve ganhar ritmo ao longo de 2026, com o objetivo de facilitar transações transfronteiriças e reduzir custos em comparação a meios tradicionais.
Novas funcionalidades em análise
Para 2026, o Banco Central segue avançando na evolução do PIX e trabalha em uma série de melhorias.
Cobrança Híbrida: pretende padronizar a possibilidade de um mesmo QR Code permitir tanto o pagamento via Pix quanto por boleto bancário. Embora essa opção já exista em alguns casos, a expectativa é que passe a ser obrigatória a partir de novembro.
Duplicatas: inclusão do pagamento de duplicatas escriturais (títulos de crédito) via PIX. A medida deve facilitar a antecipação de recebíveis por empresas, com dados atualizados em tempo real e menor custo operacional, funcionando como uma alternativa mais moderna aos boletos tradicionais.
Ssplit Tributário: a funcionalidade busca integrar o PIX ao novo modelo de arrecadação previsto na reforma tributária. A proposta é permitir o recolhimento automático de impostos no momento da compra, especialmente a partir de 2027, quando entra em vigor a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) nas transações eletrônicas.
Já no horizonte de médio prazo, com previsão a partir de 2027 e dependendo de recursos disponíveis, outras funcionalidades também estão no radar:
PIX internacional: é uma das principais apostas. Apesar de já ser aceito em locais específicos fora do país — como estabelecimentos na Argentina, nos Estados Unidos e em Portugal — o uso ainda é considerado limitado. A intenção do BC é avançar para um modelo mais completo, permitindo transferências diretas entre países por meio da integração de sistemas de pagamentos instantâneos.
PIX em garantia: voltado para facilitar o acesso ao crédito. Nesse modelo, trabalhadores autônomos e empreendedores poderão utilizar valores que ainda irão receber via PIX como garantia em empréstimos, o que pode ampliar o acesso a financiamento com taxas mais competitivas.
Pix por aproximação: o objetivo é viabilizar pagamentos mesmo sem conexão com a internet. A tecnologia permitiria transações por aproximação sem depender de Wi-Fi ou rede móvel, ampliando o uso do sistema em diferentes cenários.