Por: Lucas Gravatá

A deputada federal Duda Salabert (Psol-MG) apresentou um projeto de lei na Câmara dos Deputados que propõe a proibição da comercialização das chamadas fitas “cola-rato” em todo o país. A iniciativa foi divulgada na última terça-feira (13) em seu perfil na rede social Instagram, onde a congressista descreve o funcionamento da armadilha. O objetivo é colocar em debate métodos de controle de pragas urbanas e bem-estar animal.
De acordo com a parlamentar, o principal argumento da proposta está relacionado ao sofrimento causado aos animais capturados por esse tipo de armadilha. Segundo ela, o método mantém o roedor preso por longos períodos, o que pode levar à morte lenta e dolorosa. “O rato tenta fugir, se debate, e acaba arrancando a própria pele até morrer de exaustão ou fome”, afirmou ao justificar o projeto.
Duda Salabert também destacou possíveis riscos à saúde pública associados ao uso do equipamento. Isso porque, enquanto permanecem presos, os animais continuam eliminando dejetos no local, o que pode transformar a armadilha em um foco de contaminação.
Outro ponto levantado pela deputada é o fato de as armadilhas não serem seletivas, podendo capturar outros animais, como aves e filhotes de gatos. Para ela, isso amplia os impactos negativos do uso indiscriminado do produto. “Essas armadilhas não escolhem espécie e acabam atingindo outros animais, o que agrava ainda mais o problema”, pontuou.
A proposta também defende que o controle de pragas deve ser tratado como uma questão estrutural nas cidades, como problemas na coleta de lixo, saneamento básico e drenagem urbana. “Quando uma cidade está tomada por ratos, a culpa não é dos animais. É do poder público, que falhou no básico: coleta de lixo, saneamento, drenagem e cuidado urbano. Não é com uma fita que arranca a pele dos animais que vamos resolver um problema sanitário sério no país”, declarou a parlamentar.
O projeto ainda está em fase inicial de tramitação e será analisado pelas comissões da Câmara antes de seguir para votação em plenário. Caso aprovado, poderá impactar diretamente o mercado de produtos utilizados no controle de roedores no Brasil.