Hantavírus: entenda doença ligada a casos em cruzeiro internacional e quais são os riscos

Por: Lucas Gravatá

Foto: REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração

As buscas por hantavírus dispararam nos últimos dias desde um surto registrado em um navio de cruzeiro que saiu da Argentina e seguia rumo à Espanha. No Google Trends – ferramenta que monitora os assuntos em alta no buscador – as formas de transmissão, quais os sintomas da hantavirose e se há risco de uma nova pandemia, como a de covid-19, estão entre os termos mais pesquisados.

Segundo a OMS, os casos suspeitos envolvem o chamado hantavírus andino, variante encontrada principalmente na América do Sul e que, em situações raras, pode apresentar transmissão entre pessoas próximas. Ainda assim, o órgão afirma que o risco global permanece baixo e que “não há motivo para pânico”.

O que é o hantavírus?

Vírus é transmitido principalmente por roedores silvestres | Reprodução/Unsplash

O hantavírus é uma infecção viral transmitida principalmente pelo contato com urina, fezes ou saliva de roedores infectados. A contaminação pode acontecer pela inalação de partículas presentes no ambiente, especialmente em locais fechados ou infestados por ratos.

A doença pode provocar duas síndromes principais:

  • Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), mais comum nas Américas;
  • Febre Hemorrágica com Síndrome Renal, registrada principalmente na Europa e Ásia.

Nos casos mais graves, a infecção evolui rapidamente para insuficiência respiratória e choque circulatório.

Quais são os sintomas?

Os sintomas iniciais costumam se parecer com os de uma gripe forte e incluem:

  • febre;
  • dores musculares;
  • dor de cabeça;
  • calafrios;
  • náuseas;
  • vômitos;
  • diarreia;
  • dor abdominal.

Depois de alguns dias, o quadro pode evoluir para falta de ar intensa, pneumonia e dificuldade respiratória grave.

Em relatos divulgados por sobreviventes do vírus, pacientes descreveram a doença como “infernal” e disseram que a dificuldade para respirar surgiu de forma rápida e agressiva.

Existe tratamento?

Não há medicamento específico nem vacina aprovada contra o hantavírus. O tratamento é baseado em suporte médico intensivo, principalmente para controlar os sintomas respiratórios.

Pacientes graves podem precisar de:

  • internação em UTI;
  • ventilação mecânica;
  • oxigenação intensiva;
  • monitoramento cardíaco e pulmonar.

Especialistas afirmam que o diagnóstico precoce aumenta as chances de sobrevivência.

Qual é o risco de morte?

A taxa de mortalidade varia conforme a cepa do vírus e a rapidez do atendimento médico. Segundo a OMS, alguns surtos apresentam letalidade entre 20% e 40%.

No surto investigado no cruzeiro, três mortes já foram confirmadas entre os casos suspeitos e confirmados da doença.

O que diz a OMS?

A OMS informou que acompanha o caso em conjunto com autoridades sanitárias de vários países. O órgão recomendou monitoramento de passageiros e tripulantes por até 45 dias, além de reforço nas medidas de higiene e isolamento de pessoas com sintomas.

A entidade também destacou que a transmissão entre humanos é incomum e costuma ocorrer apenas em contatos muito próximos, especialmente na variante andina do vírus.