Por: Lucas Gravatá

As buscas por hantavírus dispararam nos últimos dias desde um surto registrado em um navio de cruzeiro que saiu da Argentina e seguia rumo à Espanha. No Google Trends – ferramenta que monitora os assuntos em alta no buscador – as formas de transmissão, quais os sintomas da hantavirose e se há risco de uma nova pandemia, como a de covid-19, estão entre os termos mais pesquisados.
Segundo a OMS, os casos suspeitos envolvem o chamado hantavírus andino, variante encontrada principalmente na América do Sul e que, em situações raras, pode apresentar transmissão entre pessoas próximas. Ainda assim, o órgão afirma que o risco global permanece baixo e que “não há motivo para pânico”.
O que é o hantavírus?

O hantavírus é uma infecção viral transmitida principalmente pelo contato com urina, fezes ou saliva de roedores infectados. A contaminação pode acontecer pela inalação de partículas presentes no ambiente, especialmente em locais fechados ou infestados por ratos.
A doença pode provocar duas síndromes principais:
- Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), mais comum nas Américas;
- Febre Hemorrágica com Síndrome Renal, registrada principalmente na Europa e Ásia.
Nos casos mais graves, a infecção evolui rapidamente para insuficiência respiratória e choque circulatório.
Quais são os sintomas?
Os sintomas iniciais costumam se parecer com os de uma gripe forte e incluem:
- febre;
- dores musculares;
- dor de cabeça;
- calafrios;
- náuseas;
- vômitos;
- diarreia;
- dor abdominal.
Depois de alguns dias, o quadro pode evoluir para falta de ar intensa, pneumonia e dificuldade respiratória grave.
Em relatos divulgados por sobreviventes do vírus, pacientes descreveram a doença como “infernal” e disseram que a dificuldade para respirar surgiu de forma rápida e agressiva.
Existe tratamento?
Não há medicamento específico nem vacina aprovada contra o hantavírus. O tratamento é baseado em suporte médico intensivo, principalmente para controlar os sintomas respiratórios.
Pacientes graves podem precisar de:
- internação em UTI;
- ventilação mecânica;
- oxigenação intensiva;
- monitoramento cardíaco e pulmonar.
Especialistas afirmam que o diagnóstico precoce aumenta as chances de sobrevivência.
Qual é o risco de morte?
A taxa de mortalidade varia conforme a cepa do vírus e a rapidez do atendimento médico. Segundo a OMS, alguns surtos apresentam letalidade entre 20% e 40%.
No surto investigado no cruzeiro, três mortes já foram confirmadas entre os casos suspeitos e confirmados da doença.
O que diz a OMS?
A OMS informou que acompanha o caso em conjunto com autoridades sanitárias de vários países. O órgão recomendou monitoramento de passageiros e tripulantes por até 45 dias, além de reforço nas medidas de higiene e isolamento de pessoas com sintomas.
A entidade também destacou que a transmissão entre humanos é incomum e costuma ocorrer apenas em contatos muito próximos, especialmente na variante andina do vírus.